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CoinDCX confirma perda de 15,99 milhões de USDT após negar suspeitas

CoinDCX admite perda de USDT em carteiras antigas Tron

A corretora CoinDCX confirmou uma perda de 15,99 milhões de USDT relacionada a carteiras comprometidas, depois de inicialmente rejeitar relatos sobre transferências suspeitas. Em comunicado divulgado em 25 de outubro de 2026, a empresa reconheceu que o incidente de 21 de outubro envolveu endereços operacionais antigos, retirados de uso após uma violação de segurança em julho de 2025. Segundo a plataforma, uma falha no serviço automatizado de transferência de depósitos permitiu que valores se acumulassem nessas carteiras. A CoinDCX afirma ter absorvido o prejuízo, sem afetar os saldos dos clientes ou seus serviços de negociação.

CoinDCX muda sua posição sobre as transferências suspeitas

O reconhecimento ocorreu após vários dias de divergências entre representantes da CoinDCX e investigadores que acompanhavam movimentações registradas na blockchain. Em 22 de outubro, o CEO Sumit Gupta havia contestado a possibilidade de uma nova violação de segurança. Segundo sua explicação inicial, os endereços identificados pertenciam à infraestrutura comprometida em julho de 2025, e nenhum recurso teria sido transferido das carteiras operacionais atuais para aqueles destinos.

Gupta sugeriu naquele momento que os responsáveis pelo ataque anterior poderiam estar reutilizando endereços comprometidos. Ele descreveu os alertas como um possível falso alarme. A avaliação foi questionada por investigadores que identificaram movimentações posteriores à suposta retirada de operação das carteiras. A diferença entre a explicação inicial e os registros observados tornou relevante esclarecer por que esses endereços ainda recebiam depósitos.

Em reportagem de 22 de outubro, a crypto.news havia apresentado a análise do investigador Darcy, que identificou transferências envolvendo aproximadamente 15,99 milhões de USDT e 5.783,81 TRX na rede Tron. O comunicado posterior da corretora confirmou a perda em USDT, mas apresentou uma explicação operacional para a continuidade das movimentações nos endereços antigos.

Falha na transferência automática permitiu acúmulo de recursos

De acordo com a CoinDCX, alguns clientes continuaram enviando criptomoedas para endereços de depósito fornecidos antes da substituição da infraestrutura comprometida. Embora a empresa tivesse orientado a utilização de novas carteiras, os endereços anteriores continuaram recebendo transferências. A plataforma manteve um procedimento para recuperar esses depósitos e evitar que os clientes ficassem sem acesso aos valores enviados por engano aos destinos antigos.

Nesse procedimento, os depósitos eram creditados imediatamente aos saldos dos usuários. Em seguida, um serviço automatizado, responsável por varrer os endereços antigos, deveria transferir as criptomoedas recebidas para carteiras operacionais seguras. Segundo a corretora, esse mecanismo permitia disponibilizar os créditos sem exigir que cada cliente aguardasse a conclusão da movimentação interna entre carteiras.

O problema surgiu quando o serviço automatizado deixou de funcionar corretamente. Com isso, os depósitos continuaram chegando aos endereços antigos, mas os recursos não eram encaminhados conforme previsto. A empresa atribuiu a esse acúmulo a exposição que resultou na perda reconhecida. Sua explicação indica uma falha no processo de movimentação dos depósitos, não uma confirmação de comprometimento das carteiras atualmente utilizadas nas operações.

Empresa reconhece limitações na comunicação inicial

A CoinDCX informou ter percebido atividade incomum em 21 de outubro. No dia seguinte, identificou movimentações irregulares de recursos a partir de registros da blockchain e de relatos da comunidade. O intervalo entre os primeiros sinais e a confirmação pública alimentou questionamentos sobre a resposta da corretora às informações divulgadas por investigadores independentes.

No comunicado de 25 de outubro, a empresa reconheceu que poderia ter se comunicado mais proativamente. Explicou que a investigação exigiu tempo para estabelecer a sequência dos acontecimentos. Essa admissão representa uma mudança em relação à rejeição inicial das suspeitas, embora a corretora continue sustentando que a infraestrutura operacional ativa e os recursos dos clientes permaneceram protegidos.

Algumas questões importantes não foram esclarecidas. A CoinDCX não informou quando o serviço automatizado parou de funcionar, durante quanto tempo os depósitos se acumularam nem como terceiros não autorizados obtiveram controle dos valores. A ausência desses detalhes limita a reconstrução completa do incidente com base nas informações públicas disponíveis.

Investigadores contestaram a retirada das carteiras antigas

O investigador ZachXBT questionou a afirmação de que os endereços comprometidos não eram mais utilizados. Ele destacou uma carteira cujo identificador começa com TQKJQ e apontou registros que, segundo sua análise, indicavam atividade posterior à violação de julho de 2025. Sua alegação era de que um provedor de liquidez continuara utilizando o endereço por dez meses, com transações registradas ainda em abril e maio de 2026.

Essas observações não demonstram, por si só, quem controlava cada movimentação. Elas mostram, contudo, por que a classificação dos endereços como retirados de operação passou a ser questionada. O ponto central da controvérsia era a continuidade de depósitos em uma infraestrutura que já havia sido associada a um incidente de segurança anterior.

A Bitquery realizou análise separada dos registros da blockchain e identificou movimentações rotineiras de depósitos por endereços afetados até 21 de outubro. Sua investigação encontrou 88 depósitos que somavam aproximadamente 15,82 milhões de USDT acumulados em uma carteira. O levantamento reforçou a indicação de que a infraestrutura antiga continuava processando transações, mesmo após ter sido classificada como desativada.

A análise da Bitquery, entretanto, não estabeleceu como o responsável pela retirada dos valores teria obtido as chaves privadas. Essa informação permanece distinta da constatação de que depósitos continuaram sendo recebidos e registrados. Identificar a circulação dos recursos não equivale a comprovar o mecanismo completo de acesso não autorizado.

Rastreamento identifica movimentações para outras corretoras

A investigação da Bitquery apontou que as transferências de 21 de outubro envolveram mais de uma carteira na rede Tron. Ao examinar os registros, a empresa identificou 40 endereços afetados. Também rastreou aproximadamente US$ 9,63 milhões que passaram por carteiras intermediárias até alcançar endereços de depósito associados às plataformas OKX, Binance e Gate.

Segundo o levantamento, esse percurso ocorreu dentro de 18 horas após a transferência principal. Os dados descrevem a movimentação observada entre endereços, mas não identificam necessariamente os responsáveis finais pelos recursos. A CoinDCX não divulgou os destinatários do dinheiro desaparecido em sua declaração oficial.

A Bitquery informou que a Tether congelou aproximadamente US$ 2,21 milhões distribuídos por nove carteiras em 22 de outubro. O congelamento é uma informação distinta de uma recuperação efetivamente confirmada pela corretora. O comunicado da CoinDCX não apresentou valores recuperados, nem informou que os recursos congelados haviam retornado ao controle da empresa.

Incidente anterior envolveu perda de US$ 44 milhões

O episódio atual remete à violação de segurança registrada em julho de 2025, quando a CoinDCX sofreu uma perda de US$ 44 milhões. Na ocasião, a empresa atribuiu o incidente a um comprometimento sofisticado de servidores que atingiu uma conta interna de liquidez. Após o ataque, a corretora substituiu a infraestrutura afetada e afirmou ter restaurado o funcionamento normal das operações.

Na resposta ao incidente anterior, a plataforma também declarou que sua estrutura de custódia segregada havia impedido perdas para os usuários. A existência desse histórico ajuda a explicar por que movimentações em carteiras antigas despertaram atenção imediata dos investigadores em outubro de 2026. Ainda assim, os dois episódios precisam ser diferenciados: a perda atual foi relacionada pela empresa ao acúmulo de depósitos em endereços antigos, enquanto a violação anterior foi atribuída a servidores comprometidos.

Clientes e serviços teriam permanecido protegidos

A CoinDCX afirma que assumiu a perda de 15,99 milhões de USDT. Segundo a corretora, os saldos dos clientes, as carteiras operacionais ativas e os sistemas de negociação não foram afetados. A empresa declarou ainda que negociações, depósitos e saques continuaram disponíveis, sem restrições, durante todo o incidente.

Essas afirmações representam a posição oficial da plataforma sobre o impacto para seus usuários. O material divulgado não apresenta uma auditoria independente que permita verificar cada aspecto operacional mencionado. Por isso, é importante atribuir à CoinDCX a garantia de que os clientes não sofreram perdas, em vez de tratá-la como uma conclusão externa já demonstrada.

Não há investigação regulatória confirmada

A CoinDCX está registrada na Unidade de Inteligência Financeira da Índia, conhecida como FIU-India, como entidade sujeita a obrigações de prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo. Entretanto, o comunicado de 25 de outubro não informou se a empresa notificou a FIU-India, a CERT-In ou outra autoridade indiana sobre as transferências identificadas.

Os registros examinados na reportagem também não confirmaram a abertura de investigação regulatória ou a adoção de medidas de fiscalização relacionadas ao episódio de 21 de outubro. A ausência dessa confirmação não permite afirmar que nenhuma comunicação tenha ocorrido. Significa apenas que não havia informação verificada sobre uma investigação ou ação oficial específica nas fontes consultadas.

CoinDCX promete reforçar o monitoramento das carteiras

Após reconhecer o prejuízo, a CoinDCX informou que pretende fortalecer o acompanhamento dos sistemas associados às carteiras antigas. A plataforma quer reforçar os avisos aos clientes sobre o caráter temporário do suporte oferecido a endereços de depósito retirados de uso. A medida anunciada está relacionada à circunstância que, segundo a empresa, permitiu a continuidade dos depósitos após a substituição da infraestrutura.

A corretora recomendou que os usuários confirmem seus endereços de depósito atuais antes de transferir criptomoedas. Também alertou que o envio de recursos para carteiras descontinuadas envolve riscos significativos. A orientação procura evitar novas transferências para endereços que não deveriam continuar sendo utilizados regularmente.

O caso permanece marcado por pontos sem resposta, especialmente o momento da falha automatizada, a duração do acúmulo e a forma de acesso aos valores. A confirmação da perda encerra a controvérsia sobre a existência do prejuízo, mas não esclarece integralmente seu mecanismo. Por enquanto, a empresa sustenta que absorveu os custos e preservou as operações dos clientes, enquanto os registros públicos mostram como depósitos continuaram circulando por uma infraestrutura considerada antiga.

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