O Bitcoin voltou a negociar abaixo de US$ 82 mil em 23 de outubro de 2026, após perder força na tentativa de recuperação próxima de US$ 85 mil. A criptomoeda recuou 0,97%, para US$ 81.449,88, em um movimento acompanhado por retiradas expressivas dos fundos negociados em bolsa de Bitcoin à vista nos Estados Unidos. Dados divulgados pela SoSoValue apontaram saídas líquidas de US$ 635,49 milhões em 22 de outubro, encerrando três sessões consecutivas de entradas. Ao mesmo tempo, liquidações no mercado de derivativos ampliaram a atenção dos investidores sobre os níveis técnicos que podem orientar os próximos movimentos de preço.
Bitcoin perde força depois de se aproximar de US$ 85 mil
A cotação do Bitcoin chegou a aproximadamente US$ 84.778 antes de devolver os ganhos da recuperação recente. Depois de não conseguir sustentar o movimento acima de US$ 84 mil, o ativo caiu temporariamente para a região de US$ 80.989, recolocando o patamar de US$ 80 mil no centro da análise técnica. O recuo observado em 23 de outubro ocorreu após a rejeição próxima da resistência de US$ 85 mil, nível que já havia limitado avanços anteriores.
Segundo os dados de mercado citados pela crypto.news, o volume diário negociado ficou próximo de US$ 29,85 bilhões, enquanto a capitalização do Bitcoin estava em aproximadamente US$ 1,64 trilhão. Ether, XRP, Solana e Dogecoin também enfrentaram pressão durante o período. Esses números descrevem o ambiente de negociação registrado na atualização, mas não permitem determinar isoladamente qual fator iniciou a queda. A movimentação combina informações sobre preço, fluxos de fundos e posições alavancadas, que devem ser analisadas separadamente antes de estabelecer relações entre elas.
ETFs à vista registram forte reversão nos fluxos
Os ETFs de Bitcoin à vista negociados nos Estados Unidos tiveram saídas líquidas de US$ 635,49 milhões em 22 de outubro, segundo a SoSoValue. O resultado interrompeu uma sequência de três pregões com entradas que, somadas, alcançaram aproximadamente US$ 1,08 bilhão. A reversão chamou atenção porque ocorreu imediatamente depois de um período em que os investidores haviam direcionado recursos relevantes para esses produtos, mesmo diante de oscilações na cotação da criptomoeda.
A sequência positiva começou em 19 de outubro, quando os fundos receberam US$ 526,6 milhões. No dia 20, as entradas diminuíram para US$ 23,16 milhões, antes de avançarem novamente para aproximadamente US$ 528,4 milhões em 21 de outubro. No pregão seguinte, o saldo passou para o campo negativo. De acordo com a SoSoValue, a retirada de 22 de outubro foi a maior saída líquida diária desde 25 de junho. Com esse movimento, o acumulado de outubro passou a indicar retiradas líquidas de aproximadamente US$ 174,5 milhões.
Embora a mudança nos fluxos coincida com a fraqueza do preço, os dados dos ETFs não comprovam, por si só, que os resgates provocaram a queda do Bitcoin. A informação permite identificar uma alteração no comportamento dos investimentos nesses fundos, sem estabelecer uma sequência causal definitiva. Para interpretar o episódio, é necessário considerar também o desempenho do mercado de derivativos, a evolução das condições macroeconômicas e a dificuldade do ativo para superar resistências recentes.
Liquidações atingem milhares de operadores de criptomoedas
As quedas de preços foram acompanhadas por liquidações relevantes em posições de derivativos. Dados da CoinGlass indicaram aproximadamente US$ 406,27 milhões em posições liquidadas durante 24 horas, envolvendo 89.596 operadores. A maior liquidação individual relatada ocorreu na Hyperliquid e envolveu uma posição BTC-USD avaliada em US$ 7,93 milhões. O volume total de liquidações, porém, abrange o mercado de criptomoedas como um todo e não corresponde exclusivamente a operações com Bitcoin.
Essa distinção evita atribuir ao BTC perdas registradas em outros ativos digitais. O levantamento também exige atenção aos horários de referência, já que os números de liquidações e as cotações podem representar janelas de observação diferentes. A notícia destaca a necessidade de conferir a correspondência entre os registros temporais antes de relacionar diretamente os valores. Ainda assim, os dados mostram que a pressão de mercado atingiu um número elevado de participantes que utilizavam instrumentos sujeitos à liquidação de posições.
Uma avaliação anterior da Bitfinex já havia alertado para o crescimento do posicionamento em contratos futuros apesar da fraqueza dos preços do Bitcoin. Na interpretação apresentada, o aumento da exposição poderia criar condições para novas liquidações caso as vendas fossem retomadas. O episódio recente é compatível com a preocupação descrita, mas a análise anterior não constitui uma demonstração de que todas as liquidações observadas tenham a mesma origem.
Petróleo e cenário macroeconômico entram na análise
O analista de criptomoedas Darkfost chamou atenção para a alta do petróleo, mencionando o Brent acima de US$ 100 em meio às tensões no Golfo e aos ataques que afetaram a infraestrutura de refino russa. Segundo sua avaliação, custos elevados de energia por um período prolongado podem pressionar a inflação, o crescimento econômico e a liquidez disponível para mercados especulativos. Esse raciocínio apresenta um possível canal de transmissão entre o ambiente macroeconômico e os ativos digitais.
Darkfost, contudo, advertiu que não se deve presumir uma relação causal direta entre o preço do petróleo e o desempenho do Bitcoin. A ressalva é importante porque movimentos simultâneos não identificam necessariamente a mesma origem. Na notícia, a evolução da energia aparece como uma preocupação adicional para os investidores, não como uma explicação comprovada para a variação diária da criptomoeda. O impacto potencial dependeria da persistência dos custos energéticos e de seus efeitos sobre as condições econômicas mencionadas pelo analista.
Indicadores técnicos apontam resistência em US$ 82.559
Em uma leitura do gráfico diário, o Bitcoin era negociado a US$ 81.906,77, abaixo da linha intermediária do Canal de Keltner, posicionada em US$ 82.559,13. A banda inferior do indicador estava em US$ 78.421,85. Segundo a análise técnica apresentada, uma recuperação sustentada acima de US$ 82.559 poderia fortalecer o movimento de curto prazo e trazer novamente ao foco a banda superior, próxima de US$ 86.696.
Se o Bitcoin não conseguir recuperar a região intermediária do canal, o mercado poderá voltar a observar a área de US$ 80 mil e, posteriormente, o limite inferior do indicador. Essas referências são níveis de análise, não resultados garantidos. Elas ajudam a organizar cenários possíveis a partir da posição atual do preço, mas não estabelecem que qualquer um deles necessariamente ocorrerá. A diferença entre a cotação pontual de US$ 81.449,88 e a leitura gráfica de US$ 81.906,77 também reflete registros apresentados em momentos distintos na notícia.
O indicador Bull Bear Power estava em -1.799,26, sinalizando vantagem dos vendedores naquele momento. As barras negativas de seu histograma, entretanto, começaram a diminuir, sugerindo moderação da força baixista. Essa redução não representava uma reversão confirmada. O quadro técnico descrito combinava, portanto, pressão vendedora ainda predominante com sinais iniciais de enfraquecimento do impulso negativo.
Analistas acompanham regiões de suporte e recuperação
Michaël van de Poppe identificou US$ 82.900 como uma referência capaz de invalidar o padrão recente de queda. Caso o Bitcoin perca US$ 80 mil, o analista destacou a faixa entre US$ 78.400 e US$ 79.700 como área a monitorar. Os valores indicam pontos de atenção para possíveis reações do mercado, sem constituir uma previsão fechada sobre a direção ou a intensidade do próximo movimento.
Alex Marzell, por sua vez, apontou a região entre US$ 81 mil e US$ 82 mil como suporte relevante dentro de um canal técnico. Em seu cenário de baixa, uma falha na defesa do limite intermediário desse canal poderia abrir espaço para uma próxima área de suporte próxima de US$ 75 mil. A referência é condicional: depende da perda da estrutura observada pelo analista e não significa que o ativo esteja necessariamente destinado a atingir esse preço.
Ali Martinez já havia destacado US$ 81 mil durante a recuperação de 19 de outubro. Na avaliação do analista, a perda desse patamar poderia ampliar o movimento de queda, enquanto US$ 84 mil e US$ 86.500 permaneciam como objetivos de recuperação. Essas referências ajudam a explicar por que a recente passagem abaixo de US$ 81 mil recebeu atenção, especialmente depois da dificuldade do Bitcoin para se manter próximo da máxima de 21 de outubro.
A sequência dos dados também exige distinguir indicadores diferentes. Os fluxos de ETFs representam entradas e saídas líquidas registradas nos fundos, enquanto as liquidações descrevem o encerramento de posições em operações com derivativos. Já as faixas de preço apontadas pelos analistas refletem interpretações gráficas e cenários condicionais. Nenhuma dessas medidas, considerada isoladamente, permite afirmar que a tendência seguinte está definida. Na atualização apresentada, o fato confirmado é a combinação de recuo na cotação, retirada líquida dos fundos e pressão significativa sobre posições alavancadas, em meio a resistências técnicas ainda não superadas pelo Bitcoin.
Histórico recente mantém os US$ 85 mil em destaque
O Bitcoin acumulava queda aproximada de 0,38% em sete dias e de cerca de 2,7% desde o início de outubro. A rejeição próxima de US$ 84.778, registrada em 21 de outubro, reforçou a importância da faixa de US$ 85 mil como resistência recente. Na atualização de preço de US$ 81.449,88, o ativo continuava abaixo tanto da linha intermediária do Canal de Keltner quanto dos US$ 82.900 destacados por van de Poppe.
Satoshi Stacker alertou ainda que o Bitcoin se aproximava de um fechamento diário abaixo da média móvel de 50 dias. O analista associou esse desenvolvimento técnico a resultados históricos variados, evitando apresentar um desfecho único como inevitável. Assim, os próximos movimentos dependerão de como o preço reagirá às zonas de suporte e resistência observadas, enquanto os fluxos dos ETFs e a evolução das liquidações continuarão oferecendo informações sobre as condições do mercado.

