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Ripple e Absa lançam custódia de ativos digitais na África do Sul

Ripple e Absa lançam custódia digital institucional

A Ripple e o Absa Corporate and Investment Banking lançaram oficialmente o Absa Digital Asset Custody na África do Sul, transformando em serviço comercial uma parceria anunciada quase um ano antes. A nova oferta utiliza a tecnologia institucional de custódia da Ripple voltado a clientes corporativos e institucionais que precisam proteger ativos digitais e administrar chaves privadas.

O lançamento ocorreu em 21 de setembro. O acordo entre as empresas havia sido divulgado em outubro de 2025, quando o Absa foi apresentado como o primeiro grande parceiro de custódia da Ripple na África. Naquele momento, o objetivo era atender criptomoedas e ativos tokenizados em ambiente bancário.

Absa leva a tecnologia da Ripple para um serviço bancário

O Absa descreve o novo produto como um ambiente regulado para instituições que desejam manter ativos digitais sob custódia e controlar as chaves responsáveis pela movimentação desses ativos. A plataforma foi estruturada para combinar a tecnologia de custódia da Ripple com os processos internos de governança, segurança e conformidade já utilizados pelo banco.

Reece Merrick, diretor-gerente da Ripple para Oriente Médio e África, confirmou o lançamento e classificou a entrada do serviço no mercado como um marco importante para ativos digitais institucionais no continente. Segundo ele, o Absa está utilizando o Ripple Custody para oferecer uma infraestrutura de gestão de ativos digitais com padrão bancário, voltada a segurança e conformidade.

A proposta não é criar uma corretora de varejo. O foco está na custódia institucional, no controle de transações e na organização de fluxos de aprovação. Isso permite proteger ativos e definir autorizações internas para operações.

Parceria começou em 2025 e agora chega ao mercado

A relação entre Ripple e Absa foi tornada pública em 15 de outubro de 2025. Na ocasião, a Ripple informou que o banco sul-africano usaria sua tecnologia para armazenamento escalável e gestão de ativos digitais. O anúncio original representava o início da implementação.

Desde então, as empresas trabalharam na integração entre a infraestrutura blockchain da Ripple e os sistemas bancários do Absa. O lançamento de setembro de 2026 representa, portanto, a fase em que a solução deixa o desenvolvimento e passa a ser oferecida comercialmente.

Proteção de chaves privadas é central na estrutura do serviço

Robyn Lawson, responsável por produto digital de custódia no Absa CIB, explicou que o sistema foi desenhado com foco em segurança, governança, recuperação e autorização controlada. A arquitetura procura evitar que uma única falha comprometa os ativos mantidos sob custódia.

Segundo o banco, as proteções das chaves privadas ficam dentro de ambientes de hardware seguros. Em vez de manter chaves privadas estáticas armazenadas permanentemente, o sistema utiliza derivação determinística de chaves. O objetivo é reduzir riscos ligados à exposição de credenciais sensíveis e manter um processo mais controlado para autorizar transações.

A estrutura também inclui procedimentos criptográficos de recuperação e camadas de governança destinadas a preservar o acesso mesmo durante interrupções de sistema. O modelo foi desenhado para que a custódia não dependa de um único ponto vulnerável e para que as instituições mantenham processos internos de aprovação antes de movimentar ativos.

Custódia não significa que os ativos saem da blockchain

A documentação da Ripple destaca que a custódia de ativos digitais se concentra principalmente na proteção das chaves usadas para autorizar transações. Os ativos continuam registrados em suas respectivas blockchains.

Essa característica diferencia a custódia digital de alguns modelos tradicionais. A perda ou o comprometimento de uma chave pode criar riscos específicos que não existem da mesma maneira em uma conta financeira convencional. Por isso, o serviço enfatiza controle de acesso, recuperação e validação das operações.

Serviço é voltado a instituições, não ao varejo

O Absa Digital Asset Custody foi desenvolvido para clientes corporativos e institucionais. O banco não apresentou o produto como uma plataforma de negociação de criptomoedas para consumidores individuais. A página do serviço destaca a proteção de ativos digitais, o gerenciamento de chaves e os controles de transações e aprovações.

Até o momento, Absa e Ripple não divulgaram uma lista completa de criptomoedas ou ativos tokenizados suportados. Também não foram publicados detalhes sobre taxas de custódia ou os nomes dos primeiros clientes. As empresas não anunciaram serviços adicionais de negociação, empréstimos ou produtos de rendimento associados ao lançamento.

Isso mantém o foco da oferta em uma função específica: guardar ativos e fornecer uma infraestrutura segura para autorizar movimentações. A estratégia parece partir das necessidades mais básicas de custódia institucional antes de expandir para outros recursos.

Ripple continua atualizando sua infraestrutura técnica

O software Ripple Custody segue recebendo atualizações. A versão 1.41, lançada em 14 de setembro, adicionou uma validação que verifica se o endereço de destino corresponde ao formato da blockchain selecionada antes da criação ou alteração de um endpoint. A mudança busca reduzir o risco de transações ficarem presas por causa de endereços inválidos.

Essa atualização foi publicada uma semana antes de o Absa divulgar comercialmente o novo serviço. A Ripple também fornece tecnologia de custódia para outras instituições financeiras. Um exemplo citado é o BBVA na Espanha, que utiliza Ripple Custody para Bitcoin e Ethereum dentro do ambiente regulatório europeu.

Lançamento ocorre enquanto a África do Sul atualiza regras para cripto

A estreia do serviço acontece enquanto a África do Sul continua desenvolvendo seu marco regulatório para ativos digitais. A Financial Sector Conduct Authority exige que prestadores de serviços de criptoativos obtenham autorização antes de oferecer serviços financeiros regulados envolvendo esse tipo de ativo.

Desde 2022, criptoativos são tratados como produtos financeiros sob a legislação sul-africana de aconselhamento e serviços intermediários. Esse enquadramento trouxe atividades como consultoria e intermediação com cripto para a supervisão da FSCA, enquanto os bancos continuam sujeitos às regras prudenciais e financeiras já aplicáveis ao setor bancário.

O debate regulatório agora também envolve movimentações internacionais. Em agosto, o Tesouro Nacional e o Banco da Reserva da África do Sul abriram consulta pública sobre um projeto de Crypto Assets Manual. O documento propõe regras para transferências de ativos digitais entre prestadores domésticos, plataformas estrangeiras e carteiras não custodiais.

Transferências internacionais podem ganhar novas obrigações

A proposta prevê que determinadas transferências de cripto sejam identificadas e reportadas como fluxos transfronteiriços. O texto também descreve permissões para prestadores autorizados e obrigações de reporte ao departamento de vigilância financeira do Banco da Reserva.

O prazo para envio de comentários termina em 30 de setembro de 2026, e o marco ainda pode ser alterado. O Banco da Reserva também destacou que a proposta não transforma criptomoedas em moeda de curso legal. O projeto faz parte de uma estrutura de controle de fluxos de capital que deve funcionar ao lado da supervisão da FSCA, do Financial Intelligence Centre e do South African Revenue Service.

Ripple amplia presença institucional no continente africano

A custódia faz parte de uma expansão mais ampla da Ripple na África. A empresa já havia ampliado a distribuição de sua stablecoin por meio de Chipper Cash, VALR e Yellow Card, dando a instituições de mercados regionais acesso ao Ripple USD.

A expansão do RLUSD foi direcionada a usos como pagamentos transfronteiriços, gestão de tesouraria e negociação. A Ripple afirmou que a demanda institucional esteve por trás do crescimento regional. A empresa também mantém relações de pagamentos com a Chipper Cash, enquanto o acordo com o Absa adiciona um canal de custódia operado por um banco.

Neste ano, a Ripple abriu uma sede maior para Oriente Médio e África em Dubai, com o objetivo de apoiar operações regionais de pagamentos e custódia. A empresa vem fortalecendo essa área desde as aquisições da Metaco e da Palisade.

Aquisições ampliaram as capacidades de custódia

A compra da Palisade adicionou tecnologia de carteiras baseada em computação multipartidária e arquitetura de confiança zero à infraestrutura institucional da Ripple. A aquisição ampliou as capacidades da empresa em redes como XRP Ledger, Ethereum e Solana.

Esses recursos complementam o foco da Ripple em atender bancos e outras instituições que precisam de infraestrutura técnica para armazenar e movimentar ativos digitais. No caso do Absa, essa tecnologia é combinada com a governança do banco e seus controles internos.

Absa planeja desenvolver o serviço de forma gradual

O Absa afirmou que sua plataforma de custódia será desenvolvida de maneira iterativa conforme mudarem as necessidades dos clientes e as condições regulatórias. Lawson explicou que o banco pretende começar pelas funções centrais de custódia e adicionar novas capacidades conforme a demanda institucional.

Nenhuma das empresas anunciou um cronograma para incluir ativos específicos ou expandir o Absa Digital Asset Custody para outros mercados africanos. Também não foram divulgados planos para transformar a oferta em um serviço voltado ao varejo.

Por enquanto, o lançamento representa a consolidação de uma parceria anunciada em 2025 e a entrada da tecnologia de custódia da Ripple em um serviço bancário comercial na África do Sul. O Absa fornece a estrutura bancária, a governança e os controles de conformidade, enquanto a Ripple entrega a infraestrutura tecnológica para proteção e movimentação de ativos digitais.

A iniciativa ocorre em paralelo à evolução das regras sul-africanas para o setor e ao crescimento das operações institucionais da Ripple no continente. Clientes institucionais interessados no serviço atual estão sendo direcionados à equipe comercial de custódia do Absa CIB para obter informações adicionais diretamente. Com o serviço agora disponível, a próxima fase dependerá da adesão dos clientes, das exigências regulatórias e das funcionalidades que o banco decidir adicionar ao longo do tempo.

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