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Bitcoin fica perto de US$ 77 mil enquanto mercado se prepara para possível alta do Fed

Bitcoin reage às apostas de alta de juros pelo Federal Reserve

A aproximação da reunião de setembro do Federal Reserve colocou novamente os juros americanos no centro das atenções do mercado de criptomoedas.

Bitcoin era negociado perto de US$ 77 mil em 13 de setembro, depois de oscilar entre uma mínima intradiária próxima de US$ 76.500 e uma máxima acima de US$ 77.400. A criptomoeda permaneceu abaixo da marca de US$ 80 mil enquanto investidores avaliavam a crescente possibilidade de um aumento das taxas de juros nos Estados Unidos.

A mudança mais recente veio depois que o Goldman Sachs revisou sua projeção para a reunião de 15 e 16 de setembro.

O banco agora espera que o Federal Reserve aumente a taxa básica em 25 pontos-base, abandonando a previsão anterior de manutenção dos juros.

Se confirmada, a decisão elevaria o intervalo-alvo dos federal funds de 3,50%–3,75% para 3,75%–4,00%.

A expectativa ganhou força depois da divulgação da inflação de agosto e da rápida mudança nas apostas do mercado.

Probabilidade de alta chega a 87%

Após a publicação do Índice de Preços ao Consumidor dos Estados Unidos, os contratos futuros de juros passaram a atribuir uma probabilidade de 87% a uma alta em setembro.

Um dia antes, essa probabilidade estava em 72%.

A chance de pelo menos uma elevação até o fim de 2026 chegou a 97%.

Esses números mostram como as expectativas mudaram rapidamente mesmo diante de um relatório de inflação que apresentou sinais contraditórios.

O Goldman Sachs destacou justamente essa mudança no posicionamento do mercado.

O banco afirmou que manter os juros inalterados poderia provocar uma reação significativa porque investidores já atribuíam uma probabilidade próxima de 90% a um aumento.

Isso não significa que o Federal Reserve tenha indicado oficialmente que pretende subir as taxas.

Os preços dos contratos futuros refletem expectativas de mercado, e não uma decisão antecipada do FOMC.

Goldman muda a decisão esperada, não sua visão central sobre inflação

A revisão do Goldman é relevante porque o banco não afirma que sua avaliação fundamental sobre inflação tenha mudado de maneira significativa.

Após os dados de agosto, seus economistas elevaram para 0,26% a estimativa de inflação mensal do núcleo do PCE.

Mesmo assim, o Goldman afirmou que o relatório não alterou sua visão fundamental sobre a trajetória da inflação.

A mudança de previsão para a reunião do Fed parece refletir uma combinação mais ampla de dados econômicos, comunicação dos formuladores de política e expectativas financeiras.

Isso torna a nova projeção particularmente interessante.

O banco passou a considerar a alta de juros o resultado mais provável sem afirmar que o relatório de inflação, isoladamente, criou uma deterioração relevante do cenário.

CPI de agosto oferece argumentos para os dois lados

O índice de preços ao consumidor subiu 0,4% em agosto, após ajuste sazonal.

Na comparação de 12 meses, a inflação cheia permaneceu em 3,4%, o mesmo nível observado em julho.

O núcleo do CPI, que exclui alimentos e energia, avançou 0,3% no mês.

Sua taxa anual recuou de 2,5% para 2,4%, atingindo o menor nível em cinco anos.

A queda da inflação anual do núcleo pode ser interpretada como um sinal de desaceleração das pressões de preços.

Por outro lado, algumas categorias apresentaram movimentos mais fortes.

O índice de energia subiu 16,3% nos 12 meses encerrados em agosto, enquanto os alimentos ficaram 2,7% mais caros.

Comunicação, hospedagem, tarifas aéreas, educação e veículos usados registraram aumentos mensais.

Assistência médica e seguro de automóveis apareceram entre as categorias que recuaram.

Serviços mantêm parte dos economistas em alerta

Diane Swonk, economista-chefe da KPMG, destacou o comportamento dos preços no setor de serviços.

Segundo sua estimativa, os serviços excluindo componentes de habitação avançaram 0,5% em agosto e 3% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Ela afirmou que os ganhos estavam fortemente concentrados em serviços.

Essa avaliação ajuda a explicar por que uma queda do núcleo anual do CPI para 2,4% não encerrou o debate sobre a necessidade de aperto monetário.

Swonk estima que a inflação PCE cheia de agosto possa subir 0,4% no mês e que o núcleo do PCE avance 0,3%.

Caso sua projeção se confirme, as taxas anuais ficariam em 3,8% para o indicador cheio e 3,4% para o núcleo.

Esses números ainda não foram publicados pelo Bureau of Economic Analysis.

O Fed olha para PCE, não apenas para CPI

A diferença entre os indicadores é especialmente importante porque a meta de inflação de 2% do Federal Reserve utiliza o índice PCE.

O CPI recebe grande atenção do mercado por ser divulgado antes, mas não é o indicador oficialmente usado para a meta de inflação do banco central.

Por isso, o recuo do núcleo anual do CPI para 2,4% não elimina automaticamente as preocupações com os preços.

Se a estimativa de Swonk para o núcleo do PCE se confirmar em 3,4%, a diferença entre os dois indicadores ajudará a explicar por que analistas continuam divididos.

Essa divergência também pode aumentar a importância da comunicação de Kevin Warsh após a decisão de setembro.

Alguns economistas questionam a necessidade de subir juros

James Thorne, estrategista-chefe de mercado da Wellington-Altus, apresentou uma visão mais crítica.

Ele questionou se os dados econômicos realmente justificam a mudança nas projeções de Wall Street.

Para Thorne, a revisão do Goldman parece estar mais relacionada às expectativas do mercado do que a uma alteração material na perspectiva de inflação.

Ele também citou crescimento salarial anual de 3,1% e afirmou não enxergar uma espiral comprovada entre salários e preços.

Outro ponto de sua crítica é que juros mais altos não podem aumentar a produção de petróleo ou corrigir interrupções de oferta.

Ao mesmo tempo, taxas maiores podem reduzir demanda, investimento e poder de compra das famílias.

Sua interpretação contrasta diretamente com a posição mais agressiva de Swonk.

KPMG já projeta três altas até 2027

Swonk espera agora três aumentos de juros até o início de 2027.

Ela também afirmou que o relatório de agosto elevou a possibilidade de uma decisão unânime por uma alta em setembro.

Essa é uma projeção da KPMG e não uma posição oficial do Federal Reserve.

O contraste entre Swonk e Thorne mostra como os mesmos dados podem produzir leituras muito diferentes.

Uma interpretação enfatiza a persistência dos preços de serviços e possíveis pressões no PCE.

A outra destaca a queda da inflação anual do núcleo do CPI e questiona a utilidade de juros mais altos para choques ligados a energia e oferta.

O FOMC terá de tomar sua decisão dentro desse ambiente de incerteza.

Bitcoin sente a mudança nas expectativas de juros

O mercado de criptomoedas acompanhou de perto a alteração nas probabilidades.

Logo após o CPI, o Bitcoin chegou a recuperar brevemente a região acima de US$ 78 mil enquanto a probabilidade de aumento dos juros alcançava 81% no Polymarket.

Essa estimativa era inferior aos 87% indicados posteriormente pelos contratos futuros de juros.

Antes dos dados de inflação, o Bitcoin estava próximo de US$ 79.500 enquanto investidores aguardavam três eventos relevantes nos Estados Unidos: inflação ao produtor, inflação ao consumidor e a reunião do FOMC.

Com a aproximação da decisão, a criptomoeda voltou para a região de US$ 77 mil.

O movimento ocorre mesmo com continuidade da demanda através dos ETFs de Bitcoin à vista.

Fluxos de ETF não isolam o Bitcoin do cenário macroeconômico

Entradas em ETFs spot podem apoiar a demanda por Bitcoin.

Isso, porém, não elimina a exposição do ativo ao ambiente de juros.

Taxas mais altas podem elevar o rendimento oferecido por ativos de menor risco.

Mudanças no mercado de Treasuries e no dólar americano também podem influenciar o comportamento dos investidores.

Por esse motivo, o aumento das expectativas de juros continua relevante para o mercado cripto mesmo quando os ETFs registram demanda.

Ao mesmo tempo, é difícil atribuir cada movimento diário do Bitcoin exclusivamente ao Federal Reserve.

A criptomoeda responde a diversos fatores, e uma variação de preço pode refletir várias forças atuando simultaneamente.

A decisão de 16 de setembro será apenas parte da resposta

O FOMC inicia sua reunião de dois dias em 15 de setembro.

No dia seguinte, às 14h no horário do leste dos Estados Unidos, o Federal Reserve publicará sua decisão sobre juros, o comunicado de política monetária e novas projeções econômicas.

Kevin Warsh falará com jornalistas às 14h30.

O mercado não observará apenas se haverá uma alta de 25 pontos-base.

Investidores também tentarão entender como o Fed avalia inflação, emprego e crescimento econômico, além de buscar sinais sobre decisões futuras.

Projeções econômicas podem indicar o caminho dos juros

O Summary of Economic Projections apresentará as estimativas individuais dos dirigentes para inflação, desemprego, crescimento e federal funds.

As projeções de juros não são compromissos obrigatórios.

Elas podem mudar conforme novos dados são divulgados.

Ainda assim, oferecem ao mercado uma visão sobre como os membros do Fed estão pensando sobre a trajetória futura da política monetária.

Isso será especialmente relevante se a autoridade monetária realmente subir os juros em setembro.

O mercado precisará saber se a decisão deve ser interpretada como um ajuste isolado ou como o início de uma sequência mais longa de aperto.

O texto do Fed pode ser tão importante quanto a taxa

Investidores também compararão o novo comunicado com a linguagem utilizada anteriormente.

Mudanças na avaliação da inflação ou do mercado de trabalho podem influenciar a interpretação do anúncio.

O discurso de Warsh deverá receber atenção semelhante.

Perguntas provavelmente abordarão inflação causada por energia, comportamento dos preços de serviços, condições do mercado de trabalho e a possibilidade de novas altas.

Swonk já projeta três aumentos até o início de 2027.

O Goldman Sachs, por sua vez, revisou especificamente sua expectativa para setembro.

As projeções oficiais do Fed mostrarão até que ponto os próprios formuladores de política concordam com essas leituras.

A votação também será observada

Uma decisão unânime não está garantida.

Caso existam dissidentes, o comunicado identificará quais dirigentes preferiram outra opção.

Eles podem defender manutenção dos juros, uma alta maior ou outra alternativa.

A composição da votação pode mudar a forma como o mercado interpreta o resultado.

Uma alta de 25 pontos-base aprovada por unanimidade teria um significado diferente de uma decisão tomada com forte divisão interna.

Para o Bitcoin e outros ativos sensíveis ao ambiente macroeconômico, essa diferença pode ser relevante.

O mercado chega ao Fed com poucas certezas

A inflação de agosto produziu sinais que não apontam todos para a mesma direção.

A inflação cheia anual permanece em 3,4%.

O núcleo anual do CPI caiu para 2,4%, menor nível em cinco anos.

Ao mesmo tempo, energia apresentou alta expressiva e alguns componentes de serviços continuam preocupando economistas.

O mercado financeiro reagiu elevando de forma agressiva as apostas em uma alta de juros.

O Goldman Sachs acompanhou essa mudança e passou a considerar um aumento de 25 pontos-base o cenário mais provável para setembro.

O Bitcoin, enquanto isso, permanece abaixo de US$ 80 mil e perto de US$ 77 mil às vésperas da decisão.

A combinação de inflação mista, divergência entre economistas, apostas fortes nos contratos futuros e expectativas sobre a comunicação do Fed faz da reunião de setembro um evento central para os mercados.

Até o anúncio de 16 de setembro, porém, uma distinção continua essencial: uma alta pode ser amplamente esperada, mas ainda não foi confirmada pelo Federal Reserve.

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