Os contratos futuros de trigo da Bolsa de Chicago avançaram na segunda-feira, revertendo a fraqueza inicial diante do temor de que a intensificação dos combates entre Rússia e Ucrânia provoque novas interrupções nas exportações de grãos pelo Mar Negro.
O contrato mais negociado do trigo subia 0,9%, para US$ 6,45 por bushel, às 10h28 no horário de Chicago. O milho avançava 0,97%, para US$ 4,68 1/2 por bushel, enquanto a soja registrava alta de 0,08%, para US$ 11,88 1/2.
O trigo recebeu apoio dos riscos geopolíticos e de várias preocupações climáticas. Há sinais de seca na Europa e nos Estados Unidos, enquanto a formação de um fenômeno El Niño pode tornar o clima mais seco na Austrália.
Milho e soja também passaram a subir durante a manhã, mas seus ganhos ficaram limitados pela forte queda do petróleo e pelas chuvas recentes em partes do Meio-Oeste americano.
Ataques a portos e navios sustentam o trigo
Traders estão concentrados na continuidade dos ataques com drones e mísseis contra navios e portos na Ucrânia e na Rússia.
Segundo analistas, essas ofensivas já interromperam parte das exportações ucranianas de trigo. Os embarques russos também apresentaram queda.
Rússia e Ucrânia exercem um papel importante no comércio mundial de cereais. Uma redução de suas exportações pode afetar a oferta disponível para importadores dependentes da região do Mar Negro.
Matt Ammermann, gerente de risco de commodities da StoneX, afirmou que o trigo voltou a receber suporte dos ataques contra portos e embarcações.
Ele observou, porém, que os detalhes continuam limitados. O principal fator para o mercado é o receio de novas interrupções, e não uma estimativa confirmada sobre a extensão dos danos.
Rússia reforça proteção das embarcações
A Rússia informou na segunda-feira que está ampliando a proteção dos navios na bacia dos mares de Azov e Negro.
O país também está desenvolvendo rotas alternativas para cargas.
A decisão ocorre depois de uma forte escalada dos ataques marítimos dos dois lados do conflito.
O reforço da segurança mostra que as autoridades russas consideram o risco aos fluxos comerciais suficientemente elevado para exigir novas medidas.
Rotas alternativas podem reduzir parte da exposição, mas também podem aumentar custos, atrasos e dificuldades logísticas.
A fonte não informa quais trajetos serão utilizados nem quanto volume poderá ser transportado por eles.
Exportações do Mar Negro continuam centrais
A região do Mar Negro é uma rota essencial para as exportações de grãos da Rússia e da Ucrânia.
Quando portos, terminais ou navios ficam sob ameaça, compradores internacionais começam a considerar atrasos e possíveis reduções na oferta.
Esses receios podem sustentar os preços futuros antes mesmo de uma queda expressiva nos embarques ser confirmada.
O mercado passa a incorporar um prêmio de risco ligado à possibilidade de agravamento do conflito.
Caso os ataques continuem, importadores podem procurar mais trigo em outras origens. Essa mudança dependerá dos preços, da disponibilidade e da capacidade logística dos demais países exportadores.
Mercado do trigo encontra um piso técnico
Segundo Don Roose, presidente da empresa americana U.S. Commodities, o mercado do trigo parece ter encontrado um piso.
Essa estabilização técnica ajudou os contratos a se recuperar depois da fraqueza inicial.
Um piso de mercado representa uma região na qual a pressão vendedora começa a perder intensidade e os compradores retornam.
O movimento não confirma necessariamente uma tendência duradoura de alta. Ele mostra apenas que os preços receberam mais suporte nos níveis recentes.
No caso do trigo, os riscos climáticos e as preocupações com exportações reforçaram essa recuperação.
Seca na Europa e nos Estados Unidos preocupa
O mercado também acompanha as condições climáticas em várias regiões produtoras importantes.
Roose afirmou que a Europa enfrenta um padrão seco, enquanto algumas áreas dos Estados Unidos também passam por seca.
A falta prolongada de chuva pode reduzir a produtividade e prejudicar a qualidade das lavouras.
O impacto exato depende da fase de desenvolvimento das plantas, da duração do déficit de umidade e da capacidade do solo de reter água.
A fonte não apresenta uma estimativa específica para possíveis perdas de produção.
Mesmo assim, mostra que traders precisam avaliar simultaneamente os riscos geopolíticos e climáticos.
El Niño pode reduzir chuvas na Austrália
A possível formação de um episódio El Niño adiciona outra fonte de incerteza.
Segundo Roose, o fenômeno pode levar a um clima mais seco na Austrália.
O país é um exportador relevante de trigo. Uma colheita menor poderia reduzir as alternativas disponíveis caso os fluxos do Mar Negro também sejam afetados.
Ainda não há dados na fonte que confirmem o tamanho de um possível impacto.
A perspectiva de menor chuva atua, portanto, como um risco futuro, e não como uma perda de produção já estabelecida.
A presença de riscos em várias regiões produtoras ajuda a sustentar os preços.
Milho acompanha recuperação do trigo
Os futuros do milho avançaram 0,97%, para US$ 4,68 1/2 por bushel.
Segundo analistas, o produto recebeu suporte do mercado de trigo.
Os dois cereais podem se relacionar por meio do uso em alimentação animal e das substituições realizadas entre diferentes grãos.
Uma alta do trigo pode, portanto, beneficiar indiretamente o milho, mesmo quando seus fundamentos próprios estão mais equilibrados.
As chuvas recentes em partes do Meio-Oeste americano, porém, limitaram o potencial de valorização.
Melhores condições de umidade podem apoiar as perspectivas de rendimento e reduzir as preocupações com a oferta.
Queda do petróleo limita os grãos
O petróleo bruto caiu fortemente diante da perspectiva de um acordo entre Estados Unidos e Irã.
Esse movimento pressionou o milho e a soja.
O petróleo influencia os mercados agrícolas por vários canais. Os preços da energia afetam custos de produção, transporte e demanda por biocombustíveis.
Um petróleo mais barato pode reduzir a atratividade econômica de alguns combustíveis produzidos com commodities agrícolas.
A fonte não quantifica o efeito sobre os contratos de grãos. Ela informa, porém, que o movimento limitou os ganhos apesar do suporte vindo do trigo e das notícias de exportação.
Soja recebe apoio de novas vendas à China
A soja teve uma sessão volátil no início do dia antes de se fortalecer com novas informações de exportação.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos confirmou vendas privadas de 488 mil toneladas métricas de soja americana para a China.
Uma venda adicional de 136.150 toneladas foi anunciada para destinos não identificados.
As duas operações são destinadas à temporada comercial de 2026-2027.
As notícias apoiaram os futuros ao mostrar que a demanda internacional pela soja dos Estados Unidos continua ativa.
Compras chinesas chegam a pelo menos 840 mil toneladas
A Reuters informou na sexta-feira que compradores do governo chinês adquiriram pelo menos oito cargas de soja americana para embarque pelos terminais da Costa do Golfo.
Outras seis cargas seriam enviadas pelos portos do Noroeste do Pacífico em outubro e novembro.
O volume total de pelo menos 840 mil toneladas métricas foi uma das maiores compras chinesas em um único dia durante o mês.
A China havia retomado suas aquisições de soja americana no fim de junho.
Essa retomada é importante porque o país é o maior importador mundial da commodity.
Uma demanda chinesa mais forte pode sustentar os preços americanos, mesmo quando condições climáticas favoráveis pressionam as perspectivas de oferta.
Chuvas no Meio-Oeste limitam alta da soja
As precipitações recentes em partes do Meio-Oeste melhoraram as condições para as lavouras americanas.
Mais umidade pode elevar as perspectivas de produtividade do milho e da soja.
As novas vendas de exportação apoiaram a soja, mas traders continuaram considerando os efeitos de uma possível melhora das safras.
O contrato subiu apenas 0,08%, mostrando que os fatores positivos e negativos estavam quase equilibrados.
A demanda chinesa ajudou, enquanto o clima e a queda do petróleo limitaram a valorização.
Mercado aguarda relatório do USDA
Os traders também aguardavam um relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos previsto para mais tarde na segunda-feira.
O documento deveria apresentar novas informações sobre as condições das lavouras americanas.
Dados sobre milho, soja e trigo podem alterar rapidamente as estimativas de produtividade.
Uma melhora maior do que a esperada poderia pressionar os preços.
Uma piora das culturas aumentaria as preocupações com a oferta.
O relatório ajudaria o mercado a medir os efeitos reais das chuvas recentes e das regiões ainda afetadas pela seca.
O que o mercado deve acompanhar
O primeiro fator será a evolução dos ataques contra portos e navios russos e ucranianos.
O segundo será a capacidade da Rússia de proteger os embarques e desenvolver rotas alternativas.
Traders também acompanharão os volumes reais exportados pelo Mar Negro.
Do lado climático, o foco estará na seca da Europa e dos Estados Unidos e nos possíveis efeitos do El Niño na Austrália.
Por fim, novas compras chinesas de soja americana e os próximos relatórios do USDA continuarão importantes para milho e soja.
Conclusão
Os futuros do trigo na CBOT avançaram 0,9%, para US$ 6,45 por bushel, diante do temor de novas interrupções nas exportações da Rússia e da Ucrânia.
Os riscos climáticos na Europa, nos Estados Unidos e na Austrália também apoiaram o movimento.
Milho e soja registraram ganhos menores. A soja recebeu suporte das novas vendas para a China, enquanto as chuvas do Meio-Oeste e a queda do petróleo limitaram a alta.
Ponto-chave final
O trigo continua sustentado principalmente pelo risco de que a intensificação do conflito reduza ainda mais as exportações do Mar Negro. A continuidade do movimento dependerá dos fluxos efetivos, da evolução dos ataques e das condições climáticas nas demais regiões produtoras.

