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Rússia ataca Kyiv com 419 mísseis e drones antes da cúpula da OTAN

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A Rússia lançou um novo ataque massivo contra a Ucrânia na noite de 5 para 6 de julho, usando no total 419 mísseis e drones. Segundo o Institute for the Study of War, esta foi a quarta grande ofensiva de mísseis e drones conduzida pelas forças russas desde 1º de junho. A nova onda voltou a mirar fortemente Kyiv e provocou numerosas vítimas civis.

O ataque ocorre às vésperas da cúpula da OTAN marcada para 7 e 8 de julho na Turquia, o que sugere uma dimensão militar, mas também informacional. Moscou parece tentar demonstrar sua capacidade de ataque, explorar fraquezas da defesa aérea ucraniana e influenciar as discussões ocidentais sobre ajuda militar a Kyiv.

Ao mesmo tempo, a Ucrânia realizou seu ataque de drones mais profundo contra a Rússia desde o início da guerra, atingindo a refinaria de Omsk, localizada a mais de 2.500 quilômetros da fronteira ucraniana. Essa dupla dinâmica confirma a intensificação da guerra de longo alcance, na qual mísseis, drones, infraestrutura energética e sistemas de defesa aérea se tornam elementos centrais da correlação de forças.

Um ataque massivo com 419 mísseis e drones

A Força Aérea ucraniana informou que as forças russas lançaram 419 mísseis e drones durante a noite de 5 para 6 de julho. A salva incluiu seis mísseis antinavio Zirkon ou Onyx lançados do oblast de Kursk, 23 mísseis balísticos Iskander-M ou S-400 lançados dos oblasts de Bryansk, Oryol e Kursk, 33 mísseis de cruzeiro Kh-101 lançados do oblast de Vologda e seis mísseis de cruzeiro Kalibr lançados de Novorossiysk, no krai de Krasnodar.

A Rússia também lançou 351 drones de ataque ou isca, incluindo drones dos tipos Shahed, Gerbera, Italmas e Parodiya. Esses drones partiram de várias direções: Bryansk, Kursk, Oryol, Shatalovo no oblast de Smolensk, Millerovo no oblast de Rostov, Primorsko-Akhtarsk no krai de Krasnodar e Donetsk ocupada.

As forças ucranianas derrubaram 326 drones e 37 mísseis, incluindo 31 Kh-101 e todos os seis Kalibr. Mas 29 mísseis balísticos ou de trajetória balística, além de 18 drones de ataque, atingiram 34 locais. Destroços de drones também caíram em outros 16 pontos.

Kyiv novamente fortemente atingida

Kyiv foi um dos principais alvos do ataque. O presidente Volodymyr Zelensky e outros responsáveis ucranianos afirmaram que os ataques russos danificaram mais de 10 locais na capital, incluindo edifícios residenciais.

Os serviços de emergência e o Ministério do Interior da Ucrânia relataram que pelo menos 16 pessoas foram mortas e 58 ficaram feridas em Kyiv. As forças russas também atingiram infraestrutura residencial no oblast de Odesa.

O Ministério da Defesa da Rússia afirmou que suas forças miraram instalações industriais de defesa e infraestrutura energética ucraniana, especialmente em Kyiv e na região. Mas as consequências civis relatadas pelas autoridades ucranianas mostram que o ataque voltou a atingir áreas urbanas densamente povoadas.

A repetição de ataques massivos contra Kyiv indica que Moscou continua usando ofensivas aéreas em grande escala para exercer pressão militar, psicológica e política sobre a Ucrânia.

Rússia explora escassez de interceptores ucranianos

Um elemento central desse ataque foi o uso ampliado de mísseis balísticos ou de trajetória balística. Segundo o ISW, as forças russas estão explorando os estoques reduzidos de interceptores antimísseis da Ucrânia para maximizar o potencial destrutivo de suas salvas.

As forças ucranianas interceptaram quase todos os mísseis de cruzeiro russos, mas nenhum míssil balístico durante esse ataque noturno. Zelensky reconheceu que a Ucrânia não conseguiu interceptar esses mísseis devido à falta de interceptores adequados.

O porta-voz da Força Aérea ucraniana, coronel Yuriy Ihnat, lembrou que os mísseis Iskander-M, S-400, Zirkon e Onyx seguem trajetórias balísticas ou quase balísticas. Segundo ele, apenas sistemas Patriot americanos ou sistemas análogos conseguem interceptar esse tipo de míssil.

Essa realidade transforma a disponibilidade dos sistemas Patriot e de suas munições em fator estratégico para a sobrevivência das cidades ucranianas.

Mísseis balísticos causam as maiores destruições

Segundo Ihnat, os mísseis balísticos causaram a maior parte da destruição em larga escala em Kyiv durante os ataques de 5 para 6 de julho. Essa observação é importante porque mostra que a Rússia adapta seus ataques conforme as fraquezas ucranianas.

Mísseis de cruzeiro e drones podem ser interceptados em grande número quando as defesas ucranianas estão suficientemente abastecidas. Mísseis balísticos, porém, são muito mais difíceis de deter sem sistemas especializados.

A Rússia parece, portanto, buscar explorar a escassez de interceptores Patriot, não apenas na Ucrânia, mas também em escala global. Ihnat avalia que Moscou pode aumentar a produção de mísseis balísticos em detrimento dos mísseis de cruzeiro, embora essa produção seja lenta e cara.

Essa lógica indica que a guerra aérea depende cada vez mais de um cálculo industrial: quem consegue produzir ou entregar mísseis, drones e interceptores mais rapidamente que o adversário?

Entregas de Patriot esperadas apenas em 2027

O ministro da Defesa ucraniano, Mykhailo Fedorov, afirmou que a Ucrânia já contratou entregas de mísseis Patriot com seus parceiros. Mas essas entregas só começariam em 2027.

Esse prazo é crítico. Os ataques russos se intensificam agora, enquanto novas munições antimísseis podem chegar tarde demais para responder às necessidades imediatas.

Zelensky, portanto, pediu que Europa e Estados Unidos usem a cúpula da OTAN para reforçar as capacidades de defesa aérea ucranianas. A mensagem é direta: sem interceptores adicionais, a Ucrânia continuará vulnerável às salvas balísticas russas.

A cúpula da OTAN se torna, assim, um momento decisivo para a defesa aérea ucraniana, mas também para a credibilidade do apoio ocidental.

Rússia reduz número de mísseis balísticos por salva

O ISW observa que as forças russas diminuíram o número de mísseis balísticos lançados em seus grandes ataques nas últimas semanas. Em 1º e 2 de junho, a Rússia lançou 41 mísseis balísticos. Na noite de 14 para 15 de junho, lançou 40. Na noite de 1º para 2 de julho, lançou 28. Na noite de 5 para 6 de julho, lançou 29.

Essa queda não significa necessariamente que a Rússia esteja ficando imediatamente sem mísseis. Pode indicar, em vez disso, que o comando russo acredita já ter esgotado fortemente os estoques ucranianos de interceptores.

Se Moscou avalia que Kyiv já não consegue interceptar a maioria dos mísseis balísticos, torna-se menos necessário lançar volumes muito grandes para garantir impactos. A Rússia pode então conservar parte de seus mísseis enquanto mantém alto nível de destruição.

Essa mudança sugere uma adaptação tática ao estado real da defesa aérea ucraniana.

Ataque provavelmente sincronizado com a cúpula da OTAN

O ISW avalia que a Rússia provavelmente escolheu o momento desse ataque para criar efeitos informacionais antes da cúpula da OTAN na Turquia. Zelensky havia alertado em 5 de julho que Moscou preparava um novo ataque massivo contra a Ucrânia antes da reunião da Aliança.

O Ministério da Defesa russo também declarou que a Rússia não ignoraria entregas ocidentais de drones, mísseis e munições à Ucrânia, e que aumentaria o número e a intensidade de seus ataques em resposta.

A Rússia já realizou grandes ataques antes de vários eventos diplomáticos relevantes em 2025 e 2026. O objetivo provável é intimidar os parceiros ocidentais da Ucrânia e dissuadi-los de ampliar seu apoio.

Moscou tenta, assim, transformar sua capacidade de ataque em instrumento de pressão diplomática.

Ucrânia atinge a maior refinaria da Rússia

Em paralelo, a Ucrânia conduziu seu ataque de drone mais profundo contra a Rússia desde o início da guerra. O Estado-Maior ucraniano declarou que suas forças atingiram pela primeira vez a refinaria de Omsk, localizada a mais de 2.500 quilômetros da Ucrânia.

A refinaria de Omsk é a maior da Rússia, com capacidade de processamento superior a 21 milhões de toneladas por ano. Segundo informações preliminares ucranianas, os drones teriam atingido a unidade primária de refino ELOU-AVT-11.

Imagens geolocalizadas publicadas em 6 de julho mostram fumaça subindo da refinaria, e o governador do oblast de Omsk, Vitaliy Khotsenko, reconheceu que vários drones ucranianos atingiram o local.

Essa operação demonstra o aumento expressivo do alcance dos ataques ucranianos.

Ataques ucranianos miram infraestrutura energética russa

O ataque contra Omsk faz parte de uma campanha mais ampla de ataques ucranianos contra a infraestrutura petrolífera russa. Desde março de 2026, a Ucrânia aumentou fortemente a frequência, o alcance e a intensidade dos ataques contra instalações energéticas russas longe da linha de frente.

O objetivo é claro: reduzir a capacidade de refino da Rússia, perturbar o abastecimento de combustível, provocar escassez e impor custos econômicos ao Kremlin.

A Ucrânia também atingiu a refinaria Slavneft-Yanos, em Yaroslavl, uma das maiores do país, com capacidade de 15 milhões de toneladas por ano. Explosões e fumaça foram relatadas. Drones ucranianos também teriam atingido a refinaria Novatek de Ust-Luga, no oblast de Leningrado, além da base da 26ª Brigada de Mísseis russa perto de Luga.

Essa campanha mostra que a Ucrânia busca deslocar a guerra para a retaguarda estratégica russa.

Kremlin tenta controlar a informação

Segundo fontes citadas pela oposição russa, o Kremlin teria pedido aos grandes meios de comunicação controlados pelo Estado que não publicassem informações sobre as consequências dos ataques ucranianos na Rússia. Eles teriam sido encorajados, em vez disso, a divulgar detalhes dos ataques russos contra a Ucrânia.

Essa estratégia busca limitar o impacto psicológico dos ataques ucranianos sobre a população russa. Se cidadãos russos veem que refinarias localizadas muito longe da fronteira podem ser atingidas, a imagem de segurança interna defendida pelo Kremlin enfraquece.

O ISW avalia que a Rússia tem tido dificuldade para defender suas infraestruturas contra ataques ucranianos de longo alcance, apesar de algumas medidas de mitigação, incluindo o remanejamento de defesas aéreas e a criação de grupos móveis de tiro.

O controle da informação torna-se, portanto, um complemento à defesa aérea insuficiente.

Moscou tenta influenciar Trump antes da cúpula

Autoridades russas também tentam apresentar Moscou como ator disposto a negociar, ao mesmo tempo em que acusam a Ucrânia de ser o obstáculo à paz. Essa comunicação ocorre quando o presidente americano Donald Trump deve se reunir com Zelensky à margem da cúpula da OTAN.

Um alto funcionário americano indicou que Trump deve conversar com Zelensky sobre formas de encerrar a guerra e provavelmente depois retomará contato com Vladimir Putin.

Vários responsáveis russos, incluindo Sergei Ryabkov, Alexei Chepa e Leonid Slutsky, multiplicaram declarações tentando apresentar a Rússia como aberta ao diálogo. O ISW avalia que o Kremlin busca moldar a percepção americana sobre a guerra antes de uma possível retomada dos esforços diplomáticos.

Esse posicionamento ocorre enquanto a administração Trump fala cada vez mais publicamente sobre os sucessos ucranianos no campo de batalha, incluindo ataques de médio e longo alcance contra ativos militares e energéticos russos.

Rússia adota comportamentos mais arriscados frente à OTAN

O ISW também destaca que a Rússia conduz comportamentos cinéticos cada vez mais arriscados contra Estados membros da OTAN dentro do que chama de campanha de “Phase Zero”.

A Politico relatou que uma aeronave de patrulha russa Bear-F lançou mais de 10 boias sonar perto do porta-aviões britânico HMS Prince of Wales no Mar da Noruega em 2 de julho, após se aproximar repetidamente de forma considerada perigosa e não profissional.

Aviões britânicos interceptaram e escoltaram a aeronave russa depois do incidente. O ISW considera esse tipo de comportamento uma tentativa de intimidação e teste da resolução da OTAN.

A Rússia já havia adotado comportamentos semelhantes, incluindo quando uma fragata russa disparou tiros de advertência contra uma embarcação civil britânica no Canal da Mancha em meados de junho de 2026.

Situação no front continua disputada

No terreno, forças ucranianas avançaram nas direções de Oleksandrivka e Hulyaipole. No oblast de Sumy, forças russas realizaram uma missão de infiltração ao norte de Komarivka. No oblast de Kharkiv, operações ofensivas russas continuaram, mas sem avanços confirmados.

As forças russas intensificam pequenos assaltos de infantaria e ataques aéreos no oblast de Kharkiv, mas continuam incapazes de conduzir grandes ataques mecanizados. Na região de Kupyansk, o ISW também relata uma missão de infiltração russa.

Em Donetsk, a situação permanece complexa. Forças ucranianas mantêm posições em Kostyantynivka, apesar das repetidas afirmações de autoridades russas de que a cidade teria sido capturada. Alguns milbloggers russos contestam a própria versão oficial do Kremlin.

Essa divergência entre propaganda russa e realidade tática destaca a importância da guerra informacional em torno das cidades disputadas.

Ucrânia também ataca a Crimeia ocupada

As forças ucranianas continuaram sua campanha contra ativos militares e energéticos russos na Crimeia ocupada. O Estado-Maior ucraniano relatou um ataque contra tanques de produtos petrolíferos no depósito TES-Terminal-1 em Kerch, usado pela Rússia para transbordar óleo combustível, gás liquefeito e derivados leves.

O comandante das Forças de Sistemas Não Tripulados da Ucrânia, Robert “Magyar” Brovdi, afirmou que a Ucrânia atingiu 47 alvos na Crimeia durante a noite de 5 para 6 de julho. Entre os alvos estavam uma subestação elétrica de 330 kV em Simferopol, dois petroleiros da frota fantasma russa, dois sistemas S-400 em Kerch e uma estação de radar Nebo-U.

As autoridades de ocupação relataram grandes apagões em várias áreas da Crimeia. Esses ataques mostram que a Ucrânia continua mirando a logística energética e militar russa na península.

Rússia mira postos de combustível e produção de gás da Ucrânia

O ISW relata que a Rússia está ampliando sua campanha de ataques contra postos de combustível e instalações de produção de gás ucranianas. Autoridades ucranianas relataram ataques contra postos nos oblasts de Zaporizhzhia, Mykolaiv e Chernihiv.

O governador do oblast de Chernihiv declarou que as forças russas atacaram postos de combustível pelo menos 25 vezes nos últimos dois meses. Fontes russas também afirmaram que drones atingiram locais de produção de gás nos oblasts de Poltava, Kharkiv e Sumy.

A Rússia parece mirar sistematicamente os setores de produção de gás de Sumy e Dnipro-Donetsk, que juntos respondem pela maior parte da produção de combustível da Ucrânia.

Essa campanha parece buscar reproduzir na Ucrânia os efeitos dos ataques ucranianos contra a infraestrutura energética russa.

Conclusão

A noite de 5 para 6 de julho marcou uma nova intensificação da guerra de longo alcance. A Rússia lançou 419 mísseis e drones contra a Ucrânia, atingindo fortemente Kyiv e causando pelo menos 16 mortos e 58 feridos na capital. Moscou explora a escassez ucraniana de interceptores antimísseis, especialmente contra mísseis balísticos que apenas sistemas Patriot conseguem interceptar com eficácia.

Ao mesmo tempo, a Ucrânia atingiu a refinaria de Omsk, a maior da Rússia, a mais de 2.500 quilômetros de sua fronteira, além de outros locais energéticos e militares russos. Essa campanha demonstra a crescente capacidade de Kyiv de perturbar a retaguarda estratégica russa.

Ponto final

A guerra entre Rússia e Ucrânia entra em uma fase na qual ataques de longo alcance, defesa aérea, infraestrutura energética e guerra informacional se tornam decisivos. A Rússia busca esgotar as defesas ucranianas antes da cúpula da OTAN, enquanto a Ucrânia amplia sua capacidade de ataque ao coração do território russo. O resultado dependerá da velocidade com que cada lado consegue produzir, receber e empregar mísseis, drones, interceptores e sistemas de defesa.

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