Os preços do ouro reverteram perdas anteriores na segunda-feira e atingiram uma máxima de dois meses, ampliando a alta de 7% registrada na semana anterior após dados fracos do mercado de trabalho dos Estados Unidos aumentarem as expectativas de uma política monetária mais branda pelo Federal Reserve.
Por volta das 11h51 no horário do leste dos EUA, o ouro à vista subia 0,4%, para US$ 4.357,03 por onça, enquanto os futuros recuavam 0,4%, para US$ 4.384,15.
O metal havia caído nas primeiras horas da sessão americana, pressionado por um dólar mais forte e pela renovada incerteza em torno do Estreito de Hormuz, que manteve preocupações inflacionárias.
Mesmo assim, o suporte vindo dos dados de emprego mais fracos e da mudança nas expectativas sobre juros ajudou o ouro a recuperar terreno.
Dados fracos de emprego mudam expectativa de juros
O movimento ocorreu depois que o relatório de emprego dos Estados Unidos mostrou que a economia perdeu vagas inesperadamente em julho.
Os ganhos de emprego dos dois meses anteriores também foram revisados fortemente para baixo.
Essa combinação levou o mercado a reduzir as expectativas de uma alta dos juros pelo Federal Reserve em setembro.
Para o ouro, essa mudança é importante porque juros mais baixos reduzem o custo de oportunidade de manter um ativo que não paga rendimento.
Quando as expectativas de aperto monetário diminuem, o metal tende a ficar relativamente mais atraente.
Ouro amplia forte alta da semana anterior
O ouro já havia avançado cerca de 7% na semana passada.
Na sexta-feira, os preços atingiram o maior nível desde 17 de junho depois que o relatório de emprego alterou a percepção sobre o Fed.
A recuperação de segunda-feira levou o ouro à vista a uma nova máxima de dois meses.
Nos últimos 30 dias, o metal acumula alta superior a 5%, apoiado pela mudança nas expectativas de política monetária e pela demanda por proteção.
Inflação será o próximo grande teste
O próximo catalisador importante será a divulgação dos dados de inflação dos Estados Unidos nesta semana.
O mercado está especialmente atento aos números de quarta-feira, que poderão influenciar novamente as expectativas para os juros.
John Murillo, diretor de negócios da B2Broker, afirmou que esse será o principal teste para o ouro.
Segundo ele, uma inflação relativamente moderada deixaria poucos argumentos para uma política mais restritiva ou novas altas de juros.
Nesse cenário, Murillo vê o ouro se aproximando de US$ 4.400 por onça, enquanto uma alta até US$ 4.500 exigiria notícias mais favoráveis do mercado de trabalho.
Inflação pode complicar decisão do Fed
O banco central enfrenta um equilíbrio difícil.
Dados fracos de emprego pesam contra novos aumentos de juros porque uma política mais restritiva poderia enfraquecer ainda mais o mercado de trabalho e a atividade econômica.
Por outro lado, uma inflação persistente pode forçar o Fed a manter uma postura mais dura.
Os preços de energia são especialmente importantes por causa da guerra com o Irã e das dificuldades no Estreito de Hormuz.
Uma inflação acima do esperado poderia, portanto, reativar expectativas de aperto monetário e pressionar o ouro.
Incerteza no Estreito de Hormuz sustenta busca por proteção
As tensões geopolíticas também continuam apoiando o metal precioso.
Irã e Estados Unidos permanecem distantes em relação às condições para reabrir o Estreito de Hormuz.
Teerã apresentou exigências duras, enquanto o presidente Donald Trump argumentou que a pressão econômica de Washington acabará levando o Irã de volta às negociações.
A falta de avanços reduziu as esperanças de um acordo rápido.
Antes do início da guerra com o Irã no fim de fevereiro, cerca de um quinto dos fluxos globais de petróleo e gás natural liquefeito passava pelo estreito.
Energia mais cara mantém risco de inflação
A interrupção dos fluxos energéticos cria um cenário complexo para o ouro.
De um lado, o risco geopolítico aumenta a procura por ativos considerados defensivos.
De outro, petróleo e gás mais caros podem elevar a inflação e levar o Federal Reserve a manter juros elevados.
Essas duas forças atuam em direções diferentes.
O ouro pode se beneficiar da incerteza, mas sofrer pressão caso a inflação provoque alta dos rendimentos dos títulos e do dólar.
Dólar mais forte pressionou o ouro inicialmente
O dólar americano apresentava leve valorização durante a sessão.
O índice do dólar, que acompanha a moeda contra uma cesta de divisas globais, subia cerca de 0,2%, para 99,72.
Um dólar mais forte pode tornar o ouro mais caro para compradores que utilizam outras moedas.
Esse fator ajudou a pressionar o metal no início do dia.
Mais tarde, porém, a preocupação com o mercado de trabalho e as perspectivas de juros mais baixos voltaram a dominar.
Dólar também recebe demanda defensiva
A moeda americana também vem funcionando como ativo de proteção durante a crise geopolítica.
Investidores consideram que a economia dos Estados Unidos, por ser uma grande exportadora de energia, pode estar em uma posição relativamente melhor para absorver os efeitos da guerra com o Irã.
Isso cria um ambiente em que dólar e ouro podem receber procura defensiva ao mesmo tempo.
A relação entre os dois continuará sendo importante para o mercado de metais.
UBS mantém alvo de US$ 5.000
O UBS manteve uma meta de US$ 5.000 por onça para o ouro.
O banco citou três pilares estruturais para justificar a projeção.
O primeiro é a possibilidade de queda dos juros reais caso o Federal Reserve eventualmente reduza as taxas.
O segundo é uma possível fraqueza do dólar associada aos déficits fiscal e externo dos Estados Unidos.
O terceiro é a continuidade das compras por bancos centrais, que o UBS considera um piso importante para os preços.
O banco acredita que esses fatores podem continuar apoiando o ouro até 2027.
Bancos centrais continuam comprando
A demanda de bancos centrais segue importante.
Analistas do ING disseram que o Banco Popular da China aumentou suas reservas de ouro em aproximadamente 20 toneladas, na maior adição mensal desde outubro de 2023.
Compras oficiais de grande porte podem reduzir a oferta disponível no mercado e reforçar a percepção do ouro como ativo estratégico de reserva.
Essa demanda se tornou uma parte relevante da tese estrutural positiva para o metal.
Compras da Tether também ajudam o ouro
A fonte também aponta compras significativas da empresa de cripto Tether como outro fator de suporte.
Essa demanda adiciona uma fonte institucional diferente dos bancos centrais e investidores financeiros tradicionais.
Somada ao aumento das compras oficiais no segundo trimestre, ajudou a sustentar os preços.
A fonte, porém, não quantifica exatamente quanto as compras da Tether contribuíram para a alta recente.
Ouro continua sensível aos juros reais
A perspectiva de longo prazo continua fortemente ligada às taxas de juros.
Como o ouro não gera renda, sua atratividade relativa tende a aumentar quando os juros reais caem.
Se o Federal Reserve reduzir as taxas enquanto a inflação também desacelera, os rendimentos reais poderão cair.
Esse cenário seria favorável ao ouro.
Por outro lado, uma renovação do aperto monetário ou juros reais persistentemente elevados podem limitar novas altas.
Mercado de trabalho ganha mais importância
O relatório fraco de sexta-feira aumentou a relevância dos próximos dados de emprego.
Uma deterioração contínua das contratações poderia fortalecer as expectativas de redução dos juros.
Por outro lado, uma recuperação inesperada do mercado de trabalho poderia reverter parte dessas apostas.
O ouro, portanto, está cada vez mais sensível à interação entre emprego e inflação.
Um único relatório fraco não estabelece uma tendência definitiva, mas já alterou o posicionamento de curto prazo.
O que o mercado deve acompanhar
O principal foco será a divulgação da inflação dos Estados Unidos na quarta-feira.
Um resultado abaixo do esperado poderia reforçar as expectativas de política monetária mais branda e apoiar o ouro.
Uma leitura mais alta poderia reativar preocupações com novas altas de juros.
Investidores também acompanharão o índice do dólar, os rendimentos dos Treasuries e os acontecimentos no Estreito de Hormuz.
Compras adicionais por bancos centrais e sinais de demanda institucional também poderão influenciar a tendência.
Conclusão
O ouro atingiu uma máxima de dois meses na segunda-feira depois de reverter perdas anteriores, apoiado por dados fracos de emprego nos Estados Unidos e por expectativas crescentes de uma política mais branda do Federal Reserve.
O ouro à vista subiu para cerca de US$ 4.357 por onça depois de avançar 7% na semana anterior.
A incerteza geopolítica no Estreito de Hormuz continua sustentando a demanda defensiva, enquanto energia mais cara e dólar forte criam pressões contrárias.
Ponto-chave final
A direção de curto prazo do ouro agora depende fortemente dos dados de inflação dos Estados Unidos. Uma leitura mais fraca reforçaria o argumento para juros menores e poderia prolongar a alta, enquanto uma inflação persistente pode reviver expectativas de aperto monetário. No longo prazo, compras de bancos centrais, juros reais e risco geopolítico continuam sendo os principais motores.

