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Bitcoin pode voltar a US$ 110 mil em 2026 se pressão macro perder força, segundo cenário do Google Gemini

Google Gemini projeta Bitcoin em US$ 110 mil até o fim de 2026 enquanto Fed, inflação e ETFs definem o equilíbrio entre risco e recuperação

O Google Gemini apresentou uma projeção para o Bitcoin que coloca o ativo entre US$ 95 mil e US$ 125 mil até o final de 2026, com US$ 110 mil como cenário central. A análise parte de uma leitura diferente da recente correção: em vez de interpretar a queda como sinal de deterioração estrutural, o modelo vê a região próxima de US$ 79 mil como parte de um ajuste provocado principalmente por fatores macroeconômicos.

A pressão veio depois de um discurso mais hawkish de Kevin Warsh em Jackson Hole, que reacendeu expectativas de aperto monetário em setembro. Ao mesmo tempo, o mercado absorveu uma liquidação ligada a uma expiração de opções de aproximadamente US$ 6,4 bilhões, aumentando a volatilidade e pressionando o preço.

O ponto principal do cenário é que Bitcoin continua enfrentando uma variável que não controla: a política monetária americana. O ativo possui uma estrutura de oferta limitada e demanda institucional crescente, mas esses fatores podem perder força temporariamente quando juros, inflação e liquidez passam a dominar o comportamento dos investidores.

O cenário-base não depende apenas de Bitcoin

A projeção de US$ 110 mil funciona somente se as condições macro começarem a estabilizar. O risco mais importante é a inflação, especialmente se o PCE permanecer alto por tempo suficiente para manter o Federal Reserve em uma posição restritiva.

Se isso acontecer, Bitcoin pode continuar enfrentando dificuldade para romper resistências importantes. A tese não necessariamente desaparece de imediato, mas o caminho até os níveis projetados fica mais difícil.

Por outro lado, se o mercado começar a enxergar uma política monetária mais previsível, a pressão sobre ativos de risco pode diminuir. Nesse cenário, fatores internos do Bitcoin — como oferta reduzida e demanda via ETFs — voltariam a ter mais peso.

A projeção é, portanto, condicional. Ela não afirma que US$ 110 mil serão alcançados independentemente do ambiente.

A base construída perto de US$ 65 mil ganhou importância

O gráfico semanal mostra uma trajetória de correção extensa antes da recuperação recente. Bitcoin saiu de aproximadamente US$ 35 mil no fim de 2023 e atingiu perto de US$ 126 mil em outubro de 2025. Depois disso, o mercado passou por uma queda que durou cerca de quatro meses.

Em fevereiro de 2026, BTC rompeu abaixo de US$ 60 mil. Nos meses seguintes, negociou em uma faixa ampla entre aproximadamente US$ 60 mil e US$ 83 mil. Junho trouxe uma nova visita à região de US$ 57.500, enquanto julho e agosto consolidaram uma base próxima de US$ 65 mil por aproximadamente seis semanas.

Essa estabilização é importante porque mostra que o mercado parou de produzir mínimas sucessivamente mais baixas e começou a construir uma zona de equilíbrio.

O breakout recente ocorreu depois dessa base, levando o Bitcoin novamente para perto de US$ 80 mil.

A resistência imediata está em US$ 81.455

O último fechamento semanal citado foi de US$ 78.923, com alta de 1,55% e uma faixa entre US$ 76.664 e US$ 81.455. A grande amplitude mostra que houve compra e venda fortes no mesmo período, especialmente depois da reação ao discurso de Jackson Hole.

US$ 81.455 funciona como a primeira resistência relevante. Acima desse nível, o mercado encontra a região de US$ 85 mil e depois a faixa de US$ 95 mil observada anteriormente.

Se Bitcoin superar essas áreas com continuidade, a projeção de US$ 110 mil ganha mais consistência porque o ativo deixaria para trás parte importante da estrutura de consolidação formada em 2026.

Enquanto isso, o preço ainda precisa provar que consegue transformar recuperação em tendência.

O nível de US$ 68 mil separa correção de deterioração

A projeção identifica US$ 68 mil como o principal nível de invalidação. Isso significa que uma queda abaixo dessa região mudaria significativamente a leitura utilizada pelo modelo.

Antes disso, suportes intermediários aparecem em US$ 76.664 e US$ 72 mil. Esses níveis podem servir como zonas de defesa caso o mercado continue enfrentando pressão macro.

Enquanto BTC permanecer acima de US$ 68 mil, a estrutura de recuperação continua preservada dentro da lógica apresentada. Abaixo desse valor, o cenário de retorno a US$ 110 mil precisaria ser reavaliado.

Essa abordagem cria uma diferença importante entre volatilidade normal e uma mudança estrutural no mercado.

Momentum melhorou sem chegar a uma condição extrema

O RSI semanal estava em 57,68, contra uma linha de sinal de 40,89. A diferença mostra que o momentum se recuperou de forma significativa depois de um período mais fraco.

Mesmo assim, um RSI próximo de 58 não representa uma condição extremamente sobrecomprada. Isso significa que, tecnicamente, ainda existe espaço para o movimento continuar caso apareça suporte suficiente de demanda.

A relevância está na combinação. Bitcoin ganhou força, mas ainda não chegou a níveis de momentum que normalmente sugerem exaustão imediata.

O problema é que indicadores técnicos podem perder eficiência quando o mercado enfrenta mudanças abruptas de política monetária. Por isso, o cenário precisa de confirmação tanto do preço quanto do ambiente macro.

Oferta reduzida continua favorecendo uma recuperação

A estrutura de oferta do Bitcoin permanece como um dos argumentos mais construtivos. Após o halving, a quantidade de novas moedas entrando no mercado continua mais limitada, enquanto a rede opera com hash rate em níveis recordes.

Essa combinação reduz a expansão da oferta nova justamente em um momento no qual investidores institucionais ganharam acesso ao ativo por meio de ETFs spot.

Se esses fundos continuarem acumulando BTC, a demanda pode pressionar uma quantidade relativamente menor de moedas disponíveis. Esse efeito não garante alta imediata, mas pode criar um ambiente mais favorável quando a pressão macro diminui.

O cenário do Gemini depende justamente dessa transição: primeiro, estabilização das expectativas de política monetária; depois, maior influência dos fundamentos de oferta e demanda.

ETFs podem definir a velocidade da próxima recuperação

A participação institucional se tornou uma variável importante para o comportamento do Bitcoin. ETFs spot oferecem um canal de entrada para capital que não precisa operar diretamente em exchanges de criptomoedas.

Se a acumulação continuar, esses fluxos podem ajudar o Bitcoin a absorver períodos de venda e recuperar resistências mais rapidamente.

Por outro lado, se os ETFs perderem força enquanto o Fed continua restritivo, o mercado teria menos suporte para sustentar uma alta agressiva.

O papel dos ETFs, portanto, não é isolado. Eles funcionam como uma parte da equação junto com emissão reduzida, liquidez global e apetite por risco.

US$ 110 mil ainda fica abaixo da máxima de 2025

Embora a projeção pareça agressiva, o cenário-base de US$ 110 mil permanece abaixo do pico próximo de US$ 126 mil registrado em outubro de 2025.

Isso significa que o modelo não exige necessariamente uma nova máxima histórica para que sua tese central se confirme. A região de US$ 110 mil representaria uma recuperação forte, mas ainda dentro de um intervalo já visto anteriormente.

O limite superior de US$ 125 mil levaria o ativo praticamente de volta ao recorde, enquanto o limite inferior de US$ 95 mil representaria uma recuperação mais moderada.

A amplitude da projeção reflete o nível elevado de incerteza em torno do Fed e da inflação.

O principal risco continua vindo da política monetária

A maior ameaça ao cenário é uma inflação persistentemente alta. Se o PCE obrigar o Federal Reserve a manter uma postura restritiva, Bitcoin pode continuar enfrentando dificuldade para atrair capital suficiente para um movimento de grande escala.

Nesse ambiente, ativos de risco tendem a operar com menos suporte de liquidez, e o impacto positivo da oferta reduzida pode demorar mais para aparecer.

A reação ao Jackson Hole já mostrou essa sensibilidade. Mesmo com uma estrutura técnica melhor e demanda institucional presente, o mercado recuou rapidamente quando as expectativas de juros mudaram.

Isso reforça a ideia de que a próxima fase do Bitcoin será decidida tanto em Washington quanto no mercado cripto.

Conclusão

O Google Gemini projeta Bitcoin entre US$ 95 mil e US$ 125 mil até o fim de 2026, com US$ 110 mil como cenário-base. A análise considera que a correção atual é principalmente macroeconômica e mantém uma visão construtiva enquanto o ativo permanecer acima de US$ 68 mil.

A região entre US$ 81.455 e US$ 95 mil concentra as principais resistências antes que a projeção mais otimista ganhe força. Ao mesmo tempo, oferta pós-halving e ETFs spot continuam funcionando como pilares de suporte.

Ponto-chave final

A projeção de US$ 110 mil depende menos de uma nova narrativa sobre Bitcoin e mais de uma combinação entre política monetária e demanda institucional. Se o Fed deixar de pressionar o mercado e BTC superar suas principais resistências, o caminho para a região projetada se torna mais plausível. Se inflação e juros permanecerem elevados e o preço perder US$ 68 mil, a estrutura usada pelo Gemini deixará de sustentar o mesmo cenário.

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