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Ethereum liga futuro do Hegotá a plano de segurança pós-quântica para 2029

Ethereum planeja segurança pós-quântica para sua camada 1

A Ethereum Foundation transformou a resistência a computadores quânticos em uma meta explícita de protocolo. O Protocol Cluster da organização definiu dezembro de 2029 como prazo para tornar a Layer 1 da Ethereum resistente a ataques quânticos, ao mesmo tempo em que avalia quais mudanças mais imediatas devem fazer parte do upgrade Hegotá. A relação entre esses dois horizontes mostra que decisões tomadas para atualizações previstas para os próximos anos já estão sendo analisadas pelo impacto que poderão ter em uma futura migração criptográfica.

A Fundação publicou em 7 de setembro dois documentos. Um deles organiza e classifica 62 Ethereum Improvement Proposals consideradas para Hegotá. O segundo descreve prioridades que vão além de um único hard fork e inclui a resistência quântica entre os compromissos de longo prazo.

Esse desenho ajuda a entender por que o trabalho da Ethereum não pode ser reduzido a escolher um novo algoritmo de assinatura. Contas, validadores, consenso, disponibilidade de dados e sistemas de provas zero-knowledge dependem de estruturas criptográficas diferentes e terão de evoluir de forma coordenada.

A primeira tarefa é decidir o que cabe em Hegotá

O Protocol Cluster reuniu 397 avaliações sobre 62 EIPs.

Cerca de 60 pesquisadores, engenheiros e especialistas participaram da análise, distribuídos entre nove equipes.

A Ethereum Foundation descreveu o resultado como a primeira tier list compartilhada do cluster dedicada a um único upgrade.

As propostas não foram avaliadas isoladamente apenas por mérito técnico.

Participantes também discutiram custos de implementação, conflitos com outras mudanças e dificuldade de colocar cada ideia dentro do calendário de desenvolvimento.

Quando havia divergências importantes, as equipes realizaram discussões ao vivo para comparar argumentos.

Isso cria um mecanismo de priorização antes que clientes comecem a assumir compromissos mais pesados de implementação.

Hegotá não terá necessariamente 62 mudanças

A lista pode dar a impressão de que o upgrade será extremamente amplo.

Não é isso que o documento representa.

As 62 EIPs são candidatas.

Uma avaliação favorável não garante entrada no mainnet.

O código ainda precisa ser desenvolvido pelos client teams.

Depois, mudanças precisam funcionar em development networks e passar por testnets públicos.

Os core developers também precisam concordar com o conjunto final.

Portanto, a tier list funciona como uma ferramenta de seleção, não como especificação definitiva.

A resistência à censura já possui uma proposta programada

Nas discussões anteriores, a única feature listada oficialmente para Hegotá era a EIP-7805, chamada Fork Choice-enforced Inclusion Lists, ou FOCIL.

A proposta tenta reduzir a capacidade de uma infraestrutura concentrada de block builders de influenciar quais transações entram nos blocos.

Um comitê de validadores poderia produzir listas de transações elegíveis.

Os construtores deveriam incluí-las.

Se deixassem determinadas transações de fora sem justificativa, attesters poderiam rejeitar o bloco.

O objetivo é aumentar a resistência à censura diretamente no funcionamento do protocolo.

Hegotá também discute contas, privacidade e economia de validadores

Outras propostas analisadas tratam de native account abstraction, redução dos slot times, precificação do crescimento do estado, ferramentas de privacidade e incentivos econômicos para validadores.

São áreas bastante diferentes.

Isso aumenta a dificuldade de montar um upgrade coerente.

Uma mudança em contas pode afetar gas e execução.

Uma alteração em validadores pode interagir com o consenso.

Ferramentas de privacidade também podem exigir novos mecanismos de prova.

Os pesquisadores não podem escolher propostas apenas olhando seu benefício individual.

Precisam analisar como todas funcionam juntas.

Client teams tiveram de indicar suas preferências

As equipes de execution clients também receberam a tarefa de classificar suas EIPs preferidas até 10 de setembro.

Esse passo acrescenta uma perspectiva importante.

Pesquisadores podem considerar uma proposta desejável.

Mas as equipes responsáveis por escrever e manter clientes precisam avaliar se conseguem implementá-la com segurança dentro do prazo.

Esse filtro de execução pode excluir mudanças tecnicamente interessantes, mas grandes demais para uma determinada atualização.

A Ethereum historicamente depende da coordenação de vários clientes independentes, então nenhuma alteração importante pode ser tratada como uma implementação centralizada simples.

Hegotá está projetado para 2027, mas a data pode mudar

A roadmap pública atualmente posiciona Hegotá em 2027.

Antes dele viria Glamsterdam, planejado para o quarto trimestre de 2026.

Esse cronograma não é fixo.

Cada hard fork depende de progresso real de engenharia.

Mudanças precisam estar estáveis.

Clients precisam manter compatibilidade.

Development networks precisam funcionar.

Testnets públicos precisam permitir testes em escala mais ampla.

Somente depois desse processo os desenvolvedores conseguem acordar uma data de ativação do mainnet.

A meta de 2029 muda como propostas atuais são avaliadas

Fredrik Svantes, responsável pela coordenação de protocolo da Ethereum Foundation, afirmou que as equipes estão mirando agressivamente uma Layer 1 resistente ao quântico até dezembro de 2029.

Ele também disse que esse compromisso influencia as recomendações para Hegotá e outras áreas do protocolo.

Essa observação é particularmente importante.

Uma EIP não precisa ser explicitamente “pós-quântica” para afetar o plano de 2029.

Uma mudança que torne contas mais programáveis pode facilitar novas assinaturas.

Uma estrutura rígida demais pode tornar a migração futura mais complexa.

Por isso, a segurança de longo prazo já entra na avaliação de decisões intermediárias.

A Ethereum atual não é resistente a ataques quânticos

Os mecanismos criptográficos usados hoje poderiam, em teoria, ser vulneráveis a computadores quânticos futuros com capacidade suficiente.

Isso inclui estruturas utilizadas por contas e validadores.

A própria documentação da Ethereum Foundation ressalta que o hardware existente permanece muito abaixo do nível necessário para executar esse tipo de ataque.

Portanto, o prazo de 2029 não responde a uma invasão quântica em andamento.

Ele funciona como uma preparação antecipada para uma mudança que pode exigir anos.

Migrar contas é apenas uma parte do trabalho

Um usuário autoriza transações por meio de mecanismos criptográficos.

Trocar esse componente pode parecer simples quando observado isoladamente.

Mas Ethereum possui muito mais estruturas dependentes de criptografia.

Validadores assinam mensagens.

O consenso precisa verificar essas assinaturas.

Sistemas de data availability também possuem requisitos próprios.

Zero-knowledge proofs dependem de construções matemáticas específicas.

Cada componente terá exigências de desempenho e compatibilidade.

Por isso, uma rede inteira não se torna pós-quântica apenas substituindo a assinatura de carteiras.

Smart contracts já permitem experiências com proteção adicional

Algumas experiências começaram antes de qualquer hard fork.

Em junho, o pesquisador Nico afirmou que um usuário poderia adicionar proteção pós-quântica através da lógica de smart contracts por aproximadamente US$ 0,07 por conta.

A proposta usa assinaturas baseadas em SPHINCS.

Essa solução é limitada.

Ela adicionaria proteção a uma determinada conta.

Não alteraria o protocolo de consenso.

Não protegeria automaticamente os validadores.

Também não tornaria toda a Layer 1 resistente ao quântico.

Mesmo assim, o experimento mostra que parte da migração pode começar no nível de aplicação antes de uma mudança global.

Novo contrato de depósito poderia aceitar vários sistemas de assinatura

Uma proposta enviada em 24 de agosto tenta preparar a infraestrutura de staking.

O design criaria um novo validator deposit contract capaz de aceitar public keys com comprimentos variáveis.

Cada sistema de assinatura receberia um identificador.

O primeiro identificador preservaria os depósitos BLS usados atualmente.

Identificadores posteriores poderiam servir para esquemas post-quantum.

Essa abordagem criaria uma estrutura onde mais de um sistema de assinatura poderia coexistir durante uma transição.

O algoritmo pós-quântico ainda não foi escolhido

A proposta do contrato não seleciona qual esquema substituiria BLS.

Isso continua em aberto.

Mesmo depois da escolha, seria necessário modificar a consensus layer.

O protocolo precisaria reconhecer e verificar assinaturas do novo formato.

Clientes teriam de implementar essas verificações.

Validadores precisariam atualizar sua infraestrutura.

Portanto, o contrato de depósito resolve apenas uma parte da preparação.

Ele cria flexibilidade para uma troca futura sem definir o destino final.

Uma migração futura poderia bloquear novos depósitos BLS

Os desenvolvedores também discutiram um switch irreversível.

Depois de um período de transição acordado, Ethereum poderia deixar de aceitar novos depósitos de validadores usando BLS.

Os validadores existentes e provedores de staking precisariam de tempo para se adaptar antes que uma decisão desse tipo entrasse em vigor.

Essa transição precisaria evitar fragmentação.

Não seria seguro simplesmente desligar uma tecnologia usada por grande parte da infraestrutura.

A proposta mostra por que o horizonte de 2029 exige planejamento vários anos antes.

Native account abstraction pode funcionar como ponte

A account abstraction aparece como uma das áreas que mais conecta Hegotá ao plano pós-quântico.

Contas programáveis poderiam autorizar transações com diferentes métodos.

Isso reduz dependência de uma única estrutura fixa de assinatura.

A roadmap cita outras vantagens, como social recovery, spending controls e sponsored gas.

Mas para a segurança quântica, a flexibilidade criptográfica é especialmente relevante.

Uma conta capaz de trocar sua lógica de validação pode migrar para novas assinaturas de maneira mais controlada.

Isso não resolve o consenso, mas ajuda no componente usuário.

Segurança quântica compete com outras prioridades

A Ethereum não está trabalhando apenas nesse problema.

A roadmap atualizada por Vitalik Buterin em agosto colocou post-quantum scaling ao lado de native rollups, novas ferramentas de privacidade e formal verification assistida por IA.

Esses trabalhos disputam tempo de pesquisa e desenvolvimento.

Ao mesmo tempo, alguns são interdependentes.

Novas provas podem afetar scaling.

Mudanças de conta podem afetar segurança.

Privacidade pode depender de sistemas criptográficos que também precisam ser analisados sob uma perspectiva pós-quântica.

O desafio é avançar em várias frentes sem tornar cada hard fork excessivamente complexo.

Hegotá deve servir como etapa, não como conclusão

Nada no material indica que Hegotá entregará uma Layer 1 totalmente resistente ao quântico.

A função do upgrade é mais limitada.

Ele pode incorporar componentes que ajudam a criar uma arquitetura mais preparada.

Também pode evitar escolhas que dificultariam futuras mudanças.

A tier list ajuda a identificar quais EIPs possuem suporte suficiente para avançar e quais ainda exigem pesquisa.

Esse processo reduz a chance de o protocolo assumir complexidade que depois se torne difícil de remover.

O cronograma da Ethereum se aproxima do plano do NIST

Nos Estados Unidos, o National Institute of Standards and Technology já iniciou sua própria transição pós-quântica.

Em agosto de 2024, o NIST aprovou três padrões.

FIPS 203 define um mecanismo de encapsulamento de chaves.

FIPS 204 especifica um sistema de assinatura digital baseado em lattice.

FIPS 205 cobre uma assinatura baseada em hash.

O NIST afirmou que esses padrões já estavam prontos para adoção imediata.

Sistemas vulneráveis devem sair dos padrões até 2035

O plano do NIST prevê uma migração gradual.

Sistemas de maior risco devem ser atualizados primeiro.

Algoritmos considerados vulneráveis a computadores quânticos devem ser removidos dos padrões da agência até 2035.

A meta da Ethereum para dezembro de 2029 fica dentro dessa janela.

Isso não transforma a roadmap da Ethereum em regra americana.

Também não cria uma obrigação específica para investidores de ETH.

Exchanges, custodians e produtos ligados ao ativo não recebem automaticamente uma exigência regulatória apenas porque a Fundação escolheu essa data.

Empresas americanas ganham um ponto de referência técnico

Mesmo sem obrigação direta, o cronograma pode ser útil para empresas que usam Ethereum.

Infraestruturas americanas já precisam acompanhar os padrões pós-quânticos do NIST.

Se a Ethereum tentar concluir sua migração antes de 2030, provedores poderão comparar sua própria preparação com dois calendários diferentes: o da rede e o da agência técnica americana.

Essa convergência não garante que ambos usarão exatamente os mesmos sistemas.

Ela apenas coloca a migração da Ethereum dentro de um período em que outras organizações também estarão revisando suas dependências criptográficas.

A sessão no Reddit deve detalhar as prioridades

O Protocol Cluster realizará um AMA no dia 16 de setembro às 14h UTC no r/ethereum.

A comunidade poderá questionar as classificações das 62 EIPs, propostas que geraram divergência e os compromissos apresentados no documento de prioridades.

Esse encontro pode ser importante para separar três tipos de trabalho.

Primeiro, propostas maduras o suficiente para entrar em Hegotá.

Segundo, ideias que precisam de mais pesquisa.

Terceiro, compromissos de longo prazo, como a resistência quântica de 2029.

Essa separação ajuda a evitar que metas futuras sejam interpretadas como funcionalidades já próximas do mainnet.

Conclusão

A Ethereum Foundation está tentando organizar decisões de curto e longo prazo dentro da mesma estratégia. O Protocol Cluster reuniu 397 avaliações de 62 EIPs candidatas ao Hegotá e, simultaneamente, estabeleceu dezembro de 2029 como prazo para tornar a Layer 1 resistente a ataques quânticos.

A rede ainda não é quantum-resistant, mas o hardware disponível também não possui hoje a capacidade necessária para executar o tipo de ataque que preocupa os pesquisadores.

O trabalho atual busca evitar que a migração comece tarde demais.

Ponto-chave final

A meta de 2029 não depende de um único hard fork e muito menos de uma única assinatura pós-quântica. Ethereum precisará adaptar contas, validadores, consenso, data availability e sistemas de prova de forma coordenada. Hegotá pode ajudar criando mais flexibilidade no protocolo, especialmente através de account abstraction e estruturas que permitam múltiplos sistemas de assinatura. O verdadeiro desafio será transformar essa preparação em uma migração testada, compatível com os diferentes clientes e segura o suficiente para chegar ao mainnet antes do prazo estabelecido.

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