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Bitcoin volta a cair abaixo de US$ 60 mil, mas 21Shares diz que ciclo de quatro anos segue intacto

Bitcoin volta a cair abaixo de US$ 60 mil

O Bitcoin voltou a cair abaixo do nível de US$ 60.000 na quarta-feira, registrando uma queda mais forte do que nas duas passagens anteriores por esse patamar no início de junho. O movimento reacende o debate sobre a força do ciclo de quatro anos do Bitcoin, historicamente ligado aos halvings, fases de euforia e fortes correções.

Segundo os dados citados no relatório, o Bitcoin tocou mínima intradiária de US$ 59.102, em queda de quase 5% em 24 horas. O token agora acumula perda superior a 50% em relação ao recorde de US$ 126.080 alcançado em outubro de 2025. Esta é a terceira vez no mês que a principal criptomoeda fica abaixo de US$ 60.000.

Apesar da fraqueza, a 21Shares afirma que o ciclo de quatro anos ainda não foi rompido. Essa conclusão é importante porque a gestora de criptoativos havia previsto anteriormente que a demanda institucional e os fluxos ligados aos ETFs poderiam encerrar o padrão tradicional do Bitcoin após o halving. Seu relatório de meio de ano agora adota um tom mais cauteloso.

Ciclo de quatro anos continua visível

Historicamente, o Bitcoin costuma atingir um topo entre 12 e 18 meses após cada halving, antes de entrar em uma correção profunda. O halving de abril de 2024 ajudou a alimentar a alta até o recorde de outubro de 2025. A queda atual, portanto, ainda segue uma estrutura parecida com ciclos anteriores.

A 21Shares reconhece essa mudança de leitura. A gestora afirma que, ao entrar em 2026, acreditava que o ciclo de quatro anos do Bitcoin poderia ter acabado. Seis meses depois, seu relatório indica que a movimentação de preços continua familiar.

Essa observação não significa que o mercado esteja repetindo exatamente os ciclos anteriores. O ambiente de 2026 é diferente, especialmente por causa dos ETFs, da presença maior de investidores institucionais, da maturidade do mercado e da estrutura mais desenvolvida de produtos financeiros ligados ao Bitcoin.

Mesmo assim, o comportamento do preço ainda se aproxima dos antigos modelos: topo pós-halving, correção importante, teste de custos de base e fase de consolidação sob pressão.

Queda é forte, mas menos severa que em ciclos anteriores

A queda atual é significativa, mas ainda menos violenta do que os grandes mercados de baixa anteriores do Bitcoin. Dados da Glassnode citados na análise mostram que o Bitcoin caiu cerca de 84% após o topo de 2017 e 77% após o topo de 2021.

A baixa atual de mais de 50% desde o recorde de outubro de 2025 é pesada, mas ainda não atingiu a profundidade dos ciclos anteriores. Esse ponto é central para a 21Shares, porque sugere que a correção é severa sem ainda representar capitulação completa.

O Bitcoin também continua se mantendo acima de um custo de base estimado em torno de US$ 54.000 no relatório. Enquanto esse nível se mantiver, a 21Shares considera que os vendedores ainda não capitularam totalmente.

Esse custo de base funciona como uma zona psicológica e estrutural. Se for rompido com força, o mercado pode interpretar isso como sinal de fraqueza mais profunda. Se for mantido, pode apoiar a ideia de uma correção ordenada dentro de um ciclo ainda ativo.

Demanda institucional amortece a queda

Um dos grandes argumentos da 21Shares no início do ano era que os fluxos institucionais, especialmente via ETFs de Bitcoin, mudariam a dinâmica cíclica tradicional. A ideia era que capitais mais estáveis e profissionais poderiam reduzir a intensidade das fases de pânico e suavizar o comportamento do mercado.

Essa tese não desapareceu totalmente. O relatório destaca que a propriedade do Bitcoin se tornou mais institucional, tornando parte do capital mais durável durante as quedas. Investidores institucionais podem ter horizontes mais longos, estratégias mais estruturadas e menor tendência a vender em cada correção.

No entanto, os fluxos de ETF ficaram menos favoráveis recentemente. A 21Shares contou cerca de US$ 3 bilhões em saídas líquidas até o fim de maio. Em junho, a pressão se agravou com uma sequência recorde de resgates.

Mesmo assim, as entradas líquidas acumuladas desde o lançamento dos ETFs em 2024 continuam muito relevantes, em torno de US$ 53 bilhões, segundo dados da SoSoValue mencionados no artigo. Esse número mostra que, apesar dos resgates recentes, a base institucional construída desde 2024 continua considerável.

ETFs ainda não quebraram o ciclo

Os ETFs de Bitcoin mudaram a estrutura do mercado, mas ainda não foram suficientes para apagar o ciclo de quatro anos. Esse é um dos principais pontos do relatório.

Antes de 2026, alguns analistas acreditavam que o acesso institucional via ETFs reduziria fortemente o comportamento cíclico do Bitcoin. Em tese, uma demanda regular de consultores financeiros, fundos, instituições e investidores tradicionais poderia substituir o modelo clássico dominado por halving, especulação e capitulação.

Mas a correção atual mostra que o Bitcoin continua vulnerável às mesmas forças: realização de lucros após recorde, queda de liquidez, pressão macroeconômica, saídas de produtos listados e medo de um novo ciclo de baixa.

Os ETFs podem amortecer o choque, mas não tornam o Bitcoin imune à volatilidade. Seu papel provavelmente é reduzir a intensidade de certas vendas, não eliminar completamente os ciclos.

21Shares espera recuperação para US$ 100 mil

Apesar da correção, a 21Shares ainda espera uma recuperação em direção a US$ 100.000 até o fim do ano. Essa previsão não aponta necessariamente para um novo recorde histórico, mas sim para um retorno a uma zona de preços mais alta após a fase atual de pressão.

Essa distinção é importante. O relatório não fala em uma ruptura altista imediata para novas máximas. Ele fala de uma recuperação sustentada pela base institucional, pelos ETFs e pela ausência de capitulação total.

Nessa leitura, o Bitcoin poderia continuar dentro de um ciclo pós-halving clássico, mas com uma queda menos profunda do que as anteriores graças a uma estrutura de mercado mais madura.

O cenário da 21Shares, portanto, depende de um equilíbrio: o ciclo de quatro anos segue ativo, mas as instituições podem limitar os danos e favorecer uma recuperação parcial.

Arthur Hayes vê risco de queda para US$ 40 mil

Nem todos os analistas compartilham essa visão relativamente moderada. Arthur Hayes, cofundador da BitMEX, prevê um possível fundo em torno de US$ 40.000 nos próximos seis meses. Esse nível ficaria bem abaixo do custo de base observado pela 21Shares.

Hayes destaca o risco de um Federal Reserve mais restritivo. Segundo os dados mencionados, traders agora estimam em cerca de 37% a probabilidade de alta de juros em dezembro, conforme CME FedWatch.

Um ambiente de juros mais altos geralmente é desfavorável para ativos de risco, incluindo o Bitcoin. Quando os rendimentos tradicionais ficam mais atraentes e a liquidez se aperta, investidores podem reduzir exposição a ativos voláteis.

A posição de Hayes reflete, portanto, uma leitura macroeconômica mais cautelosa. Ele permanece exposto à alta, mas se protege com opções, o que mostra bem a incerteza atual do mercado.

Mercado aguarda próximos dados de inflação

A próxima leitura de inflação prevista para quinta-feira pode ter papel determinante. Um número abaixo do esperado poderia reduzir a pressão sobre o Fed, aliviar expectativas de alta dos juros e sustentar ativos de risco. Nesse cenário, o Bitcoin poderia se estabilizar acima das zonas de custo de base e tentar um rebote.

Por outro lado, uma inflação mais alta poderia reforçar expectativas de aperto monetário. Isso poderia sustentar o dólar, pressionar a liquidez e levar o Bitcoin a testar suportes mais profundos.

O mercado cripto, portanto, está suspenso por um fator macroeconômico clássico: a trajetória da inflação e dos juros. Isso mostra que o Bitcoin, apesar de sua lógica própria de halving e oferta limitada, continua fortemente influenciado pelas condições financeiras globais.

Nível de US$ 60 mil vira psicológico

A passagem abaixo de US$ 60.000 é importante porque atua como um nível psicológico. Esse patamar já foi testado várias vezes em junho. Cada rompimento chama atenção de traders, mídia, holders de longo prazo e investidores institucionais.

O fato de a última queda ter sido mais forte do que as duas anteriores sugere pressão vendedora mais intensa. O mercado agora precisa provar que consegue recuperar rapidamente esse nível ou construir suporte mais abaixo.

Se o Bitcoin permanecer abaixo de US$ 60.000 por um período prolongado, o sentimento pode se deteriorar ainda mais. Investidores poderiam então passar a olhar o custo de base em torno de US$ 54.000 como próxima zona crítica.

Por outro lado, uma recuperação rápida acima de US$ 60.000 poderia reduzir o medo imediato e sustentar a tese de uma correção controlada, não de um colapso completo.

Holders de longo prazo seguem decisivos

O relatório indica que os vendedores ainda não capitularam totalmente. Esse ponto está ligado à capacidade dos holders de longo prazo de absorver volatilidade.

Nos ciclos anteriores, grandes fases de baixa foram frequentemente marcadas por capitulação mais clara: vendas forçadas, perdas realizadas relevantes, pânico entre compradores recentes e forte contração de liquidez.

Hoje, a presença institucional e o fato de o Bitcoin continuar acima do custo de base identificado pela 21Shares sugerem que a pressão ainda não chegou a esse estágio. Isso não garante uma recuperação, mas indica que o mercado ainda não está em um cenário de capitulação total.

As próximas semanas mostrarão se os holders de longo prazo continuam firmes ou se uma nova onda de queda os levará a vender.

O que investidores devem acompanhar

O primeiro indicador a acompanhar é o nível de US$ 60.000. Uma recuperação rápida seria positiva para o sentimento, enquanto uma consolidação abaixo desse patamar aumentaria a pressão.

O segundo nível-chave é o custo de base em torno de US$ 54.000 mencionado no relatório. Um rompimento claro dessa zona poderia enfraquecer o argumento de uma correção ainda controlada.

O terceiro fator é o comportamento dos ETFs de Bitcoin. Se as saídas desacelerarem ou se transformarem em entradas, isso sustentaria a tese da 21Shares. Se os resgates se intensificarem, o mercado pode antecipar uma queda mais profunda.

O quarto elemento é a política monetária americana. Dados de inflação, sinais do Fed e expectativas de juros continuarão determinantes.

Por fim, investidores devem acompanhar a atividade dos holders de longo prazo. Seu comportamento indicará se o mercado está em consolidação ou se se aproxima de uma verdadeira capitulação.

Conclusão

O Bitcoin voltou a ficar abaixo de US$ 60.000, atingindo mínima intradiária de US$ 59.102 e perdendo quase 5% em 24 horas. O token caiu mais de 50% desde seu recorde de US$ 126.080 em outubro de 2025, reacendendo o debate sobre a persistência do ciclo de quatro anos.

A 21Shares agora reconhece que o ciclo pós-halving continua visível, apesar da ideia inicial de que a demanda institucional poderia rompê-lo em 2026. A gestora ainda avalia que a queda é menos severa do que em ciclos anteriores e que a base institucional pode sustentar uma recuperação em direção a US$ 100.000 até o fim do ano.

Ponto final

O Bitcoin continua preso entre duas leituras de mercado. Para a 21Shares, o ciclo de quatro anos ainda se mantém, mas a demanda institucional pode limitar a correção e apoiar uma recuperação. Para analistas mais cautelosos como Arthur Hayes, o risco de um fundo mais profundo perto de US$ 40.000 continua real se o Fed permanecer restritivo. Os níveis de US$ 60.000 e US$ 54.000 serão essenciais para avaliar a próxima etapa do ciclo.

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