Ouro tem queda de 5,7% — a maior em mais de uma década — e interrompe brutalmente sua sequência histórica de alta
Um tombo inesperado após meses de euforia
O mercado de ouro viveu um dia dramático na terça-feira, quando o XAU/USD caiu 5,7%, registrando sua pior queda diária desde 2013.
O metal precioso perdeu mais de US$ 240, tocando mínima de US$ 4.004 antes de fechar próximo dos US$ 4.080 por onça.
A correção forte ocorre após um rali impressionante em 2025, impulsionado por:
- compras agressivas de bancos centrais,
- tensões geopolíticas,
- dólar enfraquecido,
- e forte demanda por ativos de proteção.
Mas a escalada acelerada acabou abrindo espaço para um ajuste igualmente violento.
Realização de lucros desencadeia uma onda de vendas
Com o ouro acumulando alta de mais de 56% no ano, muitos investidores aproveitaram os preços recordes para realizar lucros.
A pressão vendedora aumentou rapidamente, atingindo:
- contratos futuros,
- mercado à vista,
- e posições alavancadas.
A valorização do dólar americano intensificou o movimento, tornando o metal mais caro para compradores internacionais.
Analistas afirmam que sinais de euforia já eram visíveis: em países como Índia, Turquia e regiões do Oriente Médio, filas se formaram em joalherias nos últimos dias — comportamento clássico de topos especulativos.
Um trader de Londres resumiu:
“Todo mundo sabia que o rali estava esticado. A surpresa foi a velocidade do tombo.”
Condições macroeconômicas também pesam
A queda não ocorreu isoladamente. Alguns fatores macro aceleraram a correção:
- leve fortalecimento do dólar,
- apaziguamento parcial de tensões comerciais,
- menor demanda por proteção,
- expectativa em torno do próximo dado de inflação dos EUA.
Investidores evitam aumentar exposição ao ouro antes da divulgação do CPI, que pode alterar expectativas sobre juros reais.
“Se a inflação vier alta, os yields sobem — e isso costuma ser negativo para o ouro”, explicou um estrategista de Nova York.
Mesmo após o tombo, o ouro segue como um dos destaques de 2025
Apesar da queda acentuada, o ouro ainda acumula ganhos superiores a 50% no ano.
O nível psicológico de US$ 4.000 torna-se agora o suporte mais importante a ser observado.
Uma quebra consistente abaixo desse patamar poderia abrir espaço para correções mais profundas.
Sentimento muda abruptamente — mas não elimina a tese de longo prazo
A queda trouxe sobriedade ao mercado após semanas de otimismo exagerado.
Entretanto, para investidores profissionais, a correção é vista mais como um “ajuste necessário” do que uma inversão de tendência.
Segundo um analista especializado em metais:
“Os fundamentos de longo prazo continuam lá. O que caiu não foi a história do ouro — foi o excesso de curto prazo.”
Um novo rali ainda é possível? Depende do cenário macro
Os próximos gatilhos que podem definir a trajetória do ouro incluem:
- dados de inflação dos EUA,
- movimentos do dólar,
- evolução de tensões geopolíticas,
- comportamento das reservas de bancos centrais.
Se os riscos globais voltarem a aumentar, não seria surpresa ver o ouro retomar sua tendência de alta rapidamente.
Mas, se o dólar continuar firme e o apetite por risco melhorar, o metal pode entrar em fase de consolidação.
Conclusão
O tombo de 5,7%, o maior em 12 anos, marca um ponto de inflexão significativo na trajetória recente do ouro.
Após meses de valorização quase contínua, o mercado mostrou que nenhum rali é eterno — e que ajustes abruptos fazem parte da dinâmica dos ativos de proteção.
Ainda assim, o declínio não invalida os fundamentos que sustentaram a alta ao longo de 2025.
A próxima leitura de inflação será crucial para definir se o ouro retoma a escalada ou entra em uma pausa prolongada.

